O Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assinaram, durante o 39º período de sessões da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, um novo acordo de cooperação técnica Sul-Sul trilateral para continuar trabalhando, juntamente com os governos dos países do Sul Global, pela transformação dos sistemas agroalimentares.
Com base em sua bem-sucedida experiência em políticas e programas de combate à fome e à pobreza, o Brasil mantém seu firme compromisso de compartilhar conhecimentos, experiências e lições aprendidas por meio da cooperação Sul-Sul.
A FAO conta com mais de 40 anos de experiência como promotora e facilitadora da cooperação Sul-Sul e da cooperação trilateral nas áreas de agricultura, segurança alimentar e nutricional.
Com este novo acordo, prevê-se ampliar a participação de instituições brasileiras no intercâmbio de conhecimentos e experiências para o fortalecimento de capacidades de países do Sul Global. Além disso, busca-se implementar novas iniciativas conjuntas e continuar contribuindo para o avanço das agendas regionais e globais que têm como objetivo erradicar a fome e reduzir as desigualdades por meio de políticas inclusivas voltadas aos que mais necessitam.
O documento foi assinado na última quinta-feira (05/03) pela diretora-geral adjunta da FAO, Beth Bechdol, e pelo diretor da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), Embaixador Ruy Pereira.
Ao longo dos últimos 18 anos, a FAO e o Governo do Brasil trabalharam juntos, com foco prioritário na América Latina e no Caribe, compartilhando conhecimentos e boas práticas por meio do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil–FAO.
Essa atuação conjunta tem promovido o fortalecimento de capacidades em áreas prioritárias como segurança alimentar e nutricional, alimentação escolar, agricultura familiar, fortalecimento de cadeias produtivas como a do algodão, desenvolvimento rural sustentável e governança da terra. A cooperação técnica de instituições brasileiras tem sido fundamental, juntamente as contribuições da FAO como plataforma neutra, facilitadora e catalisadora de políticas que podem ser adaptadas e ampliadas para outros países.
Além disso, foram incorporadas duas novas iniciativas que reforçam a cooperação: uma voltada ao fortalecimento dos sistemas agroalimentares urbanos dirigidos a populações vulneráveis, e outra focada na melhoria dos sistemas públicos de abastecimento de alimentos, ampliando o alcance e o impacto da cooperação na região.
Resultados
Ao longo da trajetória de cooperação entre a FAO e o Brasil, foram alcançados importantes resultados na América Latina e no Caribe, entre os quais se destacam:
- A capacitação de mais de 40 mil profissionais em alimentação escolar, com impacto direto em1,6 milhão de estudantes de mais de 23 mil escolas, por meio da metodologia de Escolas Sustentáveis.
- A criação da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), que atualmente reúne 18 países e promove o intercâmbio de experiências e o fortalecimento de políticas públicas na região.
- O fortalecimento de sistemas produtivos diversificados no âmbito do Projeto +Algodão, com a participação de mais de 100 instituições cooperantes. A iniciativa já beneficiou mais de14 mil famílias e cerca de 10 mil produtores, ampliando o acesso à inovação, aos mercados e contribuindo para a melhoria da renda rural.
- O avanço na modernização dos sistemas de informação sobre a terra na América Latina e no Caribe, por meio do intercâmbio de experiências e boas práticas em governança territorial e uso sustentável dos recursos naturais.
- O fortalecimento de políticas públicas para a agricultura familiar no âmbito da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do MERCOSUL (REAF).
- O apoio ao fortalecimento da resiliência de países do Corredor Seco da América Central frente à mudança climática, por meio da introdução de inovações nos sistemas produtivos.
- O incentivo à inclusão de mulheres e jovens, promovendo sua participação nos diferentes projetos.
Alianças estratégicas
A atuação na região tem contado com a participação de pelo menos 13 instituições brasileiras que compartilham experiências e políticas públicas bem-sucedidas, promovem o intercâmbio de boas práticas e fortalecem redes e espaços de diálogo sobre políticas públicas em nível regional e sub-regional, gerando benefícios mútuos entre os países do Sul Global.
Entre as instituições participantes estão o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização de Terras (Empaer-PB) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
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