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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 27/02/2026

ALGODÃO PELO MUNDO #07/2026 

27 de Fevereiro de 2026

Destaque da Semana 1 – O mercado internacional entra na última semana de fevereiro com as bolsas de NY e Zhengzhou (China) em forte recuperação, embaladas pelo otimismo após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o “tarifaço” do presidente Trump. Ao mesmo tempo, os primeiros números do USDA e de consultorias indicando que as principais origens tendem a plantar ou produzir menos reforçam a expectativa de uma oferta mais apertada adiante e aumentam a chance de maior sustentação para os preços.

Destaque da Semana 2 – As ações internacionais de promoção e desenvolvimento de mercado do algodão brasileiro continuam a todo vapor. Representantes da Abrapa e da ANEA, pela iniciativa Cotton Brazil, estiveram em Seul, na Coreia do Sul, em reunião com a SWAK, entidade que representa fiações e tecelagens do país. A agenda incluiu ainda eventos e visitas técnicas em três importantes centros compradores da Índia: Ahmedabad, Coimbatore e Mumbai.

Destaque da Semana 3 – Na Índia, a programação ocorreu paralelamente à missão oficial do governo brasileiro. Representantes do setor algodoeiro acompanharam a comitiva presidencial e ministerial nas negociações para a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) entre o Mercosul e a Índia.

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Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 26/fev cotado a 67,80 U$c/lp (+3,1% vs. 19/fev). O contrato Dez/26 fechou em 69,92 U$c/lp (+2,4% vs. 19/fev).

Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 883 pts para embarque Mar/Abr-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 26/fev/26.

Oferta – A Cotlook manteve a estimativa da produção global de algodão em 26,16 milhões de toneladas em 2025/26, ante 26,37 milhões em 2024/25, representando recuo de aproximadamente 0,8% ano a ano. Para 2026/27, a projeção inicial é de 25,08 milhões de toneladas, indicando nova queda de cerca de 4% frente a 2025/26.

Demanda – A Cotlook manteve a projeção do consumo global de algodão em 25,10 milhões de toneladas em 2025/26, ante 25,51 milhões em 2024/25, indicando retração de cerca de 1,6% ano a ano. Para 2026/27, o consumo é estimado em 25,23 milhões de toneladas, leve alta de aproximadamente 0,5% em relação a 2025/26.

Altistas 1 - Os futuros de algodão na ICE ganharam força e o contrato Dez/26 voltou a negociar em patamares que não eram vistos há mais de cinco meses, o que trouxe novo ânimo ao mercado. Já a bolsa de Zhengzhou na China, diante da empolgação com a queda do tarifaço de Trump e a volta do feriado do Ano Novo Chinês, atingiu patamares não vistos desde Maio de 2024.

Altistas 2 - Com a chegada da janela de plantio no Hemisfério Norte, o mercado começa a sair da discussão sobre demanda e passa a recair nas decisões de plantio e oferta da próxima safra. As projeções iniciais para 2026/27 indicam menor área de algodão nos EUA e na China e, em conjunto com uma expectativa de consumo mais alto, esse quadro tende a apontar para alguma redução dos estoques globais. Além disso, clima nos EUA e Xinjiang pode afetar a produção.

Altistas 3 - O algodão vem subindo gradualmente mesmo com venda ativa de produtores nos EUA há quase duas semanas, apoiada pelo programa de Loan Deficiency Payment (LDP), que acrescenta cerca de 2 a 2,5 U$c/lb ao preço recebido pelos agricultores e estimulou a liquidação de estoques elegíveis. O fato de NY ter absorvido esse fluxo sem perder suporte reforça a percepção de força subjacente na curva de preços.

Altistas 4 - As vendas de algodão por produtores nos EUA devem desacelerar na próxima semana, à medida que o Loan Deficiency Payment (LDP) do governo cai fortemente, de mais de 200 pontos para 16 pontos.

Altistas 5 - A China Cotton relata maior otimismo no setor têxtil após a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas, com muitas fiações reportando bons pedidos para as próximas semanas. As expectativas são de melhor demanda no pós-feriado, o que tende a sustentar o ritmo de uso de algodão e a retomada gradual das compras de pluma pelas fiações chinesas.

Altistas 6 - O dólar americano tem se desvalorizado neste início de ano, com queda acumulada de cerca de 2,5% em dois meses. Um dólar mais fraco tende a favorecer commodities precificadas em US$, como o algodão, aumentando a competitividade das exportações e abrindo espaço para preços internacionais mais firmes no curto prazo.

Baixistas 1 - Na China, a produção da região de Xinjiang deve fechar a safra 2025 em 7,42 milhões de tons. Com estoques comerciais totais próximos de 5,5 milhões de tons e estoques industriais acima de 1,0 milhão de tons, a oferta doméstica continua confortável, limitando espaço para maior alta de importações no curto prazo.

Baixistas 2 - Apesar da leve melhora recente, a demanda de fios na China e em outras partes da Ásia ainda é descrita como tímida, com pedidos fracos ao varejo e muitas confecções trabalhando apenas sobre carteira imediata. Qualquer alta mais forte em NY tende, portanto, a encontrar resistência rápida dos compradores.

Baixistas 3 - Na Índia, se a CCI (órgão governamental de controle de estoques de algodão) continuar liberando algodão de forma agressiva no segundo semestre, o mercado internacional pode enfrentar maior concorrência da pluma indiana em alguns destinos.

Baixistas 4 - A crise entre Paquistão e Afeganistão se agravou após ataques cruzados na fronteira, com o ministro da Defesa paquistanês falando em “guerra aberta” e dezenas de mortos em ambos os lados. O aumento do risco geopolítico na região amplia a incerteza sobre rotas terrestres e a confiança em mercados emergentes, o que reforça a aversão ao risco e pode pesar sobre ativos de commodities, incluindo o algodão.

Baixistas 5 - Paralelamente, EUA e Irã encerraram em Genebra mais uma rodada de negociações nucleares com promessa de nova reunião já na próxima semana, enquanto forças militares americanas seguem concentradas na região. O quadro de tensão persistente mantém o mercado em clima de cautela.

China - O Índice de Preços de Fios da BCO subiu para 21.870 yuan/ton, e os futuros de fio na ZCE renovaram máximas históricas, ao mesmo tempo em que o yuan se apreciou levemente. Isso reforça a percepção de que o mercado chinês de fios está em fase de recuperação gradual, ainda que a demanda final permaneça moderada.

EUA - A decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar as tarifas “recíprocas” aplicadas em 2025 reduz riscos para exportadores de têxteis e confecções, mas ainda falta definir qual será o novo desenho tarifário definitivo.

Índia 1 - Os preços internos de pluma tiveram leve alta: Shankar-6 está ao redor de ₹54.600/candy (algo como 76,6 U$c/lb) e o tipo Punjab J-34 em torno de ₹5.420/maund (cerca de 72,4 U$c/lb), ambos ex-algodoeira.

Índia 2 - A CCI já adquiriu 4,91 milhões de tons de algodão em caroço, o que equivale a 33% da produção projetada de 30,5 milhões de fardos de 170kg em 2025/26. Esse volume sob controle estatal diminui a disponibilidade no mercado livre e pode favorecer origens como Brasil e Austrália em momentos de necessidade de reposição rápida.

Índia 3 - As importações indianas de algodão em dez/25 foram de 258.658 tons (+53% vs nov) e, no acumulado ago/dez, somam 705.139 tons, mais que o dobro do mesmo período de 2024. A Índia consolida-se como importador relevante mesmo sendo grande produtor, o que é positivo para o algodão brasileiro de qualidade.

Paquistão - O mercado de fios apresentou melhora, com fiações relatando maior demanda interna e de exportação, especialmente após o retorno dos compradores chineses no pós-Ano Novo Lunar. Com preços de fios em alta e estoques de pluma mais enxutos, cresce a necessidade de recompor matéria-prima, o que tende a manter interesse por algodão importado, inclusive brasileiro.

Bangladesh - Fiações bengalesas mantêm postura cautelosa diante das mudanças nas tarifas dos EUA, mas alguns exportadores de vestuário acreditam que podem se beneficiar da tarifa reduzida de 10% nas importações americanas.

Agenda 1 - terça-feira, 10/mar/2026 – Divulgação do relatório USDA World Supply and Demand (WASDE), às 12h (horário de Nova York).

Agenda 2 - terça-feira, 31/mar/2026 – Divulgação do relatório USDA US Prospective Plantings (intenções de plantio nos EUA), às 12h (horário de Nova York).

Beneficiamento 2024/25 - O beneficiamento já está em fase final, restando apenas o estado de MT, que se encontra com 99% concluído, para o encerramento total do beneficiamento. Total Brasil: 99,27%.

Plantio 2025/26 – Até o dia de ontem (26/02) foram semeados nos estados da BA (98%), GO (100%),MA (100%),MG (96%),MS (100%),MT (100%), PI (94,52%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 99,47%.

Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 218,7 mil toneladas nas três primeiras semanas de fev/26. A média diária de embarque foi 22,5% maior que no mesmo mês de 2025.

Preços - Consulte a tabela de cotações e diferenciais abaixo.

Quadro de cotações para 26 -02

Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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