O Cotton Brazil concluiu a missão internacional Cotton Brazil Dialogues Austrália 2026, que promoveu visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão da Austrália. A agenda reuniu representantes da cadeia algodoeira brasileira em uma programação de intercâmbio técnico sobre produção, pesquisa, logística, sustentabilidade e desenvolvimento de mercado, fortalecendo a relação entre dois dos maiores exportadores de algodão do mundo.
Ao longo da programação, os participantes visitaram fazendas, centros de pesquisa, empresas de beneficiamento, estruturas de classificação de fibra e operações logísticas, conhecendo de perto o modelo australiano de produção e exportação. A missão percorreu cidades estratégicas da cotonicultura australiana, incluindo Moree, Wee Waa, Narrabri, Goondiwindi, Dalby, Toowoomba e Brisbane.
Para Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o principal resultado da missão foi a qualidade das trocas realizadas ao longo da programação.
“A missão se chamou Cotton Brazil Dialogues Austrália 2026 e acho que dificilmente poderia haver um nome melhor. Isso aconteceu, sobretudo, porque os australianos foram extremamente abertos e generosos em discutir em profundidade cada detalhe das operações, com muita transparência e disposição para compartilhar experiências”, afirmou.
Um modelo de alinhamento setorial
Durante a missão, a delegação brasileira conheceu algumas das principais organizações da cadeia algodoeira australiana, incluindo a Sundown Pastoral Company, a Australian Food & Fibre (AFF), a Cotton Seed Distributors (CSD), a ProClass, a Queensland Cotton, o Australian Cotton Research Institute (ACRI), além do Porto de Brisbane e do laboratório da Bayer Crop Science em Toowoomba.
Para David Schmidt, produtor de algodão no Oeste da Bahia, a programação, que incluiu visitas a diferentes atores da cadeia produtiva, permitiu compreender uma das características mais marcantes da cotonicultura australiana: o alinhamento entre pesquisa, produção e instituições do setor. “Há mais de 30 anos eles trabalham a genética e toda a parte de manejo para assegurar a resistência da genética desenvolvida na cultura do algodoeiro às pragas. Esse alinhamento, que extrapola a porteira da fazenda e envolve as instituições que fomentam a cotonicultura australiana, realmente é um modelo para se inspirar no Brasil”, afirma.
A integração da cadeia também foi um dos destaques para Márcio Santos, CEO da Bayer no Brasil, que acompanhou a comitiva. “Pudemos conhecer o eficiente ecossistema integrado australiano que vai da pesquisa genética, produção, processamento, à logística da exportação, ao mesmo tempo que compartilhamos a experiência brasileira de gestão da produção em larga escala. Fica claro que em conjunto temos muita oportunidade de acelerar o consumo global de fibras naturais”, acredita Santos.
Água, logística e inovação
Entre os temas que mais despertaram interesse dos participantes estiveram a gestão dos recursos hídricos e a eficiência logística da cadeia australiana.
De acordo com Juliana de Lavor Lopes, diretora de ESG e Comunicação da Amaggi, o modelo australiano evidencia a importância estratégica da água para a competitividade da produção agrícola.
“A produção de algodão na Austrália está diretamente ligada à disponibilidade de água, e o custo desse recurso é muito claro e relevante para os produtores. Isso traz um importante alerta para nós, no Brasil, sobre a necessidade de atenção crescente à questão hídrica e seus impactos sobre a competitividade da produção”, afirmou.
Outro aspecto destacado por Juliana foi a operação logística observada durante a visita ao Porto de Brisbane. “O processo é altamente organizado, com forte rastreabilidade e uma operação mais simples e fluida graças ao elevado nível de automação. Isso garante mais segurança e eficiência na exportação, algo que ainda temos oportunidade de evoluir no Brasil”, ressaltou.
Além dos aspectos técnicos, Juliana destacou o valor do intercâmbio promovido pela missão. “Não é apenas sobre o Brasil aprender com a Austrália, mas sobre um intercâmbio real de experiências. Esse diálogo fortalece o setor como um todo e contribui para o desenvolvimento de ambos os mercados”, afirmou.
Promoção e defesa das fibras naturais
Para Leonardo Celini, diretor de Operações da SLC Agrícola, a capacidade de evolução da cadeia australiana impressiona pela combinação entre tecnologia, produtividade, qualidade e coordenação entre os diferentes agentes do setor. Os avanços observados durante a missão vão desde a genética e o uso intensivo de tecnologia até a organização da cadeia produtiva e a valorização da fibra no mercado internacional.
“Um ponto que chama atenção é a união do setor contra as fibras sintéticas, além de um processo de rastreabilidade muito bem estruturado”, destacou.
Na avaliação do executivo, a experiência australiana reforça a importância de o Brasil avançar em estratégias voltadas à diferenciação e à agregação de valor da fibra nacional. Para ele, iniciativas relacionadas à qualidade, rastreabilidade e promoção comercial tendem a ganhar cada vez mais relevância na disputa por mercados internacionais.
“Somos um país exportador e temos obrigação de produzir com altíssima qualidade. O caminho é agregar valor e construir uma marca forte para o algodão brasileiro”, concluiu.
Sobre o Cotton Brazil
O Cotton Brazil é um programa internacional de promoção do algodão brasileiro desenvolvido pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A iniciativa atua na promoção comercial, no posicionamento institucional e no fortalecimento da imagem do algodão brasileiro no mercado global, destacando atributos como qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e confiabilidade no fornecimento.
