A imagem de uma jovem de 20 anos conduzindo um trator de alta potência com um vasto horizonte à sua frente ganhou o mundo através das redes sociais. Publicado em dezembro, na época do plantio de algodão no Maranhão, o vídeo de Ilana Dourado, operadora de máquinas do grupo SLC Agrícola, ultrapassou 2 milhões de visualizações e representa uma transformação concreta na presença feminina no coração operacional da agricultura brasileira. Para chamar atenção para esse movimento, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) instituiu 2026 como o ano da Mulher Agricultora.
Além de dar visibilidade para casos como o da Ilana, a iniciativa visa acelerar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres nos sistemas agroalimentares, reconhecendo seu papel essencial na produção de alimentos, na sustentabilidade e no desenvolvimento econômico.
Equidade de gênero no campo
Ilana não seguiu a profissão por um sonho de infância, como conta no vídeo, mas encontrou na operação de máquinas agrícolas uma carreira de alta performance. Atuando na “Lavoura 207”, talhão da Fazenda Potência, do Grupo SLC, no município de Balsas (MA), ela lida com uma rotina que exige precisão técnica e domínio de tecnologia. Em dias de bom ritmo, chega a conduzir o plantio de até 130 hectares de algodão.
“Não foi bem o que eu sonhei, mas é o que eu soube desenvolver e pretendo continuar. Me sinto realizada”, afirma Ilana no vídeo que viralizou.
A experiência da jovem reflete um ponto central para a FAO no Ano Internacional da Mulher Agricultora: o acesso à capacitação técnica como fator decisivo para reduzir desigualdades históricas e ampliar oportunidades para mulheres no campo. Ilana é uma das jovens que teve a oportunidade de participar do curso de operadoras de máquinas oferecido pelo programa Semear, projeto voltado à formação de mulheres operadoras de máquinas.
O Semear é uma iniciativa da SLC Agrícola em parceria com a Associação Maranhense de Produtores de Algodão (AMAPA), que promove a qualificação de mulheres para fortalecer a equidade de gênero no agronegócio. Voltado a formação técnica e inserção profissional no campo, o programa combina teoria e prática em operação de máquinas agrícolas, segurança, manutenção preventiva e noções de agricultura de precisão, preparando as participantes para atuar com eficiência, segurança e excelência em um setor historicamente masculino.
“Eu não trabalho só nessa máquina, trabalho em várias outras. Todo dia é um aprendizado novo”, compartilha.
A inserção feminina na cotonicultura
O Brasil é hoje o maior exportador mundial de algodão, e o Maranhão consolidouse como um novo polo de tecnologia e produtividade na cotonicultura. A revolução tecnológica no campo, com mecanização avançada, agricultura de precisão e gestão profissionalizada tem redesenhado o perfil da atividade e ampliado o espaço para as mulheres na cultura do algodão. A inserção feminina nesse contexto gera ganhos diretos para o setor, ao diversificar competências e fortalecer práticas sustentáveis de gestão.
Nesse cenário de transformação, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) tem intensificado ações para ampliar a participação feminina na cotonicultura nacional, incluindo postos operacionais, técnicos e decisórios. Dados da safra 2024/2025 indicam que mais de 5.109 vagas diretas são ocupadas por mulheres em fazendas certificadas pelo Algodão Brasileiro Responsável (ABR).
Além de estimular a inclusão, o programa consolida práticas socioambientais e trabalhistas, associando a qualidade do algodão brasileiro ao respeito aos trabalhadores, com infraestrutura adequada, protocolos de segurança e oportunidades de progressão profissional. Essa mudança cultural no ambiente de trabalho também impacta diretamente o bem-estar das mulheres no campo, como revela Ilana, que destaca o respeito e a educação dos colegas como parte da rotina. Segundo ela, “Os meninos são bemeducados, quando eu não sei de alguma coisa eles procuram ajudam e todos me respeitam. A gente se sente à vontade”.
Desafios e futuro
Apesar de histórias inspiradoras como a de Ilana, o desafio da cotonicultura brasileira e da agricultura global é escalar essa inclusão. A FAO aponta que, mesmo desempenhando papel central na produção de alimentos, as mulheres ainda enfrentam desigualdades no acesso a recursos, tecnologia, crédito e formação técnica. O Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026 surge como um chamado para ampliar políticas públicas, investimentos e programas de capacitação regionalizados, capazes de transformar exceções em regra.
Para Ilana, o “viral” é apenas o começo. Entre o volante do trator e os monitores de plantio, ela segue mostrando que o lugar da mulher é onde a tecnologia, a terra e o futuro da agricultura se encontram.
Assista o vídeo de Ilana que está circulando no Instagram:
https://www.instagram.com/reel/DS2UFZngKAx/?igsh=MXUzcjJzbzF1Mnc4OA==
Além do oito de março: 2026 é o ano da Mulher Agricultora pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)
Na cotonicultura, mulheres ganham espaço com o avanço tecnológico, a formação técnica e o impulso da certificação socioambiental
06 de Março de 2026
