Fibra natural, qualidade e transparência: os pilares que posicionam o algodão brasileiro no cenário global
30 de Abril de 2026

O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) chega à sua 15ª edição reforçando três pilares que vêm orientando o desenvolvimento e o posicionamento da cotonicultura nacional: fibra natural, qualidade e transparência. Mais do que conceitos, esses elementos refletem um conjunto de atributos, práticas e iniciativas que diferenciam o algodão brasileiro no mercado global e respondem às demandas cada vez mais exigentes da indústria e do consumidor. A valorização da fibra natural está no centro desse movimento. Em um contexto de crescente debate sobre sustentabilidade e impacto ambiental, o algodão se destaca por ser uma fibra de origem vegetal, biodegradável e renovável. Além disso, atributos como respirabilidade, conforto térmico e características hipoalergênicas reforçam seu valor para a indústria têxtil e para o consumidor final. Ao se posicionar como base de uma cadeia mais circular e consciente, o algodão brasileiro amplia sua relevância em um cenário global que busca alternativas às fibras sintéticas. Já o pilar da qualidade é sustentado por um conjunto robusto de programas e iniciativas liderados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que vêm transformando o padrão da fibra nacional ao longo dos últimos anos. Projetos como o Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) e o Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB) consolidaram o país como referência internacional em padronização, classificação e confiabilidade da fibra. Em 2026, o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) e o SBRHVI, junto ao movimento Sou de Algodão, completam uma década de atuação — um marco que será celebrado durante o CBA, com ações especiais, incluindo um estande comemorativo e a presença da loja do movimento no evento. Complementando esse posicionamento, a transparência ganha protagonismo por meio de soluções que conectam toda a cadeia produtiva. O programa SouABR, voltado à rastreabilidade do algodão com certificação socioambiental, permite acompanhar a jornada da fibra desde a fazenda até o produto final, atendendo às crescentes exigências de mercado por origem, responsabilidade socioambiental e segurança da informação. Nesse contexto, a etiqueta SAI (Sistema Abrapa de Identificação) também se destaca como ferramenta essencial, garantindo a identificação e a integridade dos dados ao longo de todo o processo produtivo. Ao integrar esses três pilares, o Congresso Brasileiro de Algodão não apenas acompanha as transformações do setor, mas também lidera a construção de uma cotonicultura mais competitiva, sustentável e conectada com as demandas globais. A combinação entre atributos naturais, excelência em qualidade e transparência na cadeia posiciona o algodão brasileiro como uma das principais referências mundiais — do campo ao consumidor final.   Sobre o CBA O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

Equipe da IDH visita o Brasil em agenda voltada para a produção sustentável de algodão
29 de Abril de 2026

A organização internacional IDH realizou uma imersão dedicada à cadeia do algodão brasileiro. A comitiva internacional formada por profissionais do Brasil, da Índia e da Europa incluiu visitas técnicas a fazendas produtoras em Mato Grosso e encontro estratégico na sede da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em Brasília. De acordo com a supervisora de projetos da IDH no Brasil, Aline Silva, o objetivo da visita foi estruturar uma estratégia de atuação no país. “A partir dos insumos obtidos em pesquisas, conversas bilaterais, na agenda de visitas, pretendemos estruturar uma estratégia para a atuação da IDH na cadeia do algodão larga escala no Brasil”, explicou. Imersão em Mato Grosso Durante a jornada técnica no campo, a equipe observou de perto os padrões de sustentabilidade que colocam o Brasil entre os principais países produtores de algodão certificado do mundo. Em Campo Verde (MT), a comitiva visitou unidades produtivas de referência junto à Associação Matogrossense de Produtores de Algodão (Ampa), com destaque para a Fazenda Santa Rosa, do produtor Alexandre Schenkel. A visita permitiu que os representantes internacionais da IDH validassem os processos de rastreabilidade, o manejo eficiente de recursos e o compromisso com a preservação ambiental que integram a cotonicultura brasileira. “Receber a IDH na nossa casa é uma forma de materializar o compromisso que o produtor tem com as metas da Abrapa com a responsabilidade socioambiental. Não estamos apenas produzindo fibra ou alimento, estamos gerando dados, preservando recursos hídricos e garantindo que o mercado internacional receba um produto produzido com ética e responsabilidade social”. Durante a visita as características da produção na Fazenda Santa Rosa que mais chamaram atenção do grupo foram o uso de biológicos para o manejo de pragas e a rastreabilidade dos fardos produzidos no local. Para Schenkel, essa transparência é vital para consolidar a imagem do algodão brasileiro no mercado externo e somar forças para um futuro mais sustentável. “Essa troca de experiências mostra que o agro brasileiro é parte da solução para os desafios climáticos e sociais do mundo moderno. Estamos somando forças pelas fibras naturais, deixando um planeta mais sustentável para as futuras gerações”, destacou o produtor. Visita à Abrapa O encerramento da agenda na sede da Abrapa, em Brasília, serviu para consolidar as impressões colhidas no campo e discutir futuras colaborações entre a associação e a entidade internacional. De acordo com o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, “Visitas como a que a IDH fez, passando por uma fazenda certificada pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e encerrando aqui na Abrapa, onde damos suporte para a execução dos programas de rastreabilidade, sustentabilidade e qualidade são oportunidades muito valiosas para compartilhar nossos aprendizados e ouvir atores importantes para a cadeia têxtil mundial”, avalia. “Como um programa pioneiro que é aprimorado continuamente, esse diálogo é essencial para o futuro do ABR”. Sobre a IDH A IDH atua na transformação de mercados por meio da inovação colaborativa, articulando diferentes atores e investindo em soluções inclusivas e sustentáveis que gerem valor para as pessoas e o planeta. A organização reúne coalizões de stakeholders ao longo das cadeias globais de valor, promovendo visões compartilhadas e agendas voltadas ao comércio sustentável. Com presença internacional em diversas regiões e setores estratégicos, a IDH já mobilizou ao longo de 15 anos, investimentos do setor privado para testar e implementar novos modelos de negócios que impulsionem melhores empregos, maior renda, equilíbrio ambiental e equidade de gênero.

Acordo UE–Mercosul pode abrir novos caminhos para o algodão brasileiro 
29 de Abril de 2026

Em sua fase provisória, o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul entra em vigor em 1º de maio, segundo comunicado da Comissão Europeia. Esse desenvolvimento abre novas perspectivas para o mercado brasileiro, com potencial para fortalecer os fluxos comerciais entre os dois blocos e apoiar a demanda por algodão.  O acordo prevê a redução gradual ou eliminação de tarifas de importação e exportação sobre mais de 90% dos bens comercializados, tornando-se um dos maiores acordos de livre comércio do mundo. De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por quase 80% das exportações do Mercosul para a Europa. No entanto, o algodão brasileiro ainda tem participação limitada nesse fluxo comercial — cenário que pode mudar com a implementação do acordo.  Segundo Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Brasil tem muito a ganhar com o acordo entre União Europeia e Mercosul, especialmente no setor têxtil. “Hoje, uma das principais barreiras que enfrentamos é a falta de acordos de livre comércio com grandes mercados, o que faz com que nossa indústria ainda seja fortemente voltada ao mercado interno. Esse acordo proporcionará ao setor industrial brasileiro uma oportunidade de mercado talvez nunca vista antes”, destaca.  “Já estamos trabalhando, em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), no desenho de um plano estratégico para garantir que a indústria nacional se beneficie, permitindo exportar para a Europa peças produzidas com algodão brasileiro — e fabricadas no Brasil, em vez de peças feitas com algodão brasileiro em outros países. A ideia é fortalecer a indústria doméstica, ampliando ainda mais o papel do algodão não apenas como matéria-prima, mas também como motor do desenvolvimento industrial do país”, acrescenta.  Onde o algodão brasileiro se encaixa  George Candon, CEO da My Friday Consultoria Estratégica, explica que o acordo UE-Mercosul é um tratado abrangente, negociado ao longo de mais de duas décadas, que eliminará uma ampla gama de barreiras tarifárias e não tarifárias ao comércio entre os dois blocos. Ele criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com uma população combinada de mais de 700 milhões de pessoas e um PIB conjunto de cerca de €20 trilhões — aproximadamente um quinto do PIB global.  A eliminação das altas tarifas (de até 35%) sobre produtos agrícolas e outros bens aumentará significativamente o acesso dos produtores rurais do Mercosul e do Brasil ao mercado europeu. Estimativas sobre os benefícios econômicos cumulativos variam, mas algumas indicam que o valor adicional das exportações do Mercosul para a UE — em grande parte concentrado no Brasil — pode ultrapassar €8,5 bilhões.  “Para o setor de algodão brasileiro, o acordo dificilmente terá um impacto direto, ou pelo menos não será imediato. O Brasil não exporta pluma de algodão para a Europa, mas principalmente para mercados asiáticos, onde ela é transformada em fios, têxteis e produtos manufaturados”, afirma.  “A Europa é um importante importador indireto de algodão brasileiro por meio de têxteis e vestuário que grandes marcas e varejistas europeus e internacionais produzem e/ou adquirem da Ásia. No entanto, é extremamente difícil quantificar quanto algodão brasileiro é efetivamente utilizado pelos consumidores europeus, dada a complexidade da cadeia de valor, que envolve significativa mistura de origens, fibras e tecidos durante os processos de fiação, tecelagem e fabricação”, acrescenta.  Um impulso estratégico para o comércio têxtil  Para George Candon, o acordo Mercosul-UE oferece à indústria têxtil e de vestuário oportunidades em termos de acesso a mercados, cooperação tecnológica, investimentos e fortalecimento de padrões ambientais nos países de ambos os blocos. Os países do Mercosul também possuem uma indústria têxtil significativa: somente no Brasil, são mais de 25 mil empresas, cerca de 1,3 milhão de empregados e um valor aproximado de US$ 41 bilhões.  “Além de reduzir barreiras comerciais, o acordo também pretende promover a integração das cadeias de valor entre Mercosul e UE, e apoiar o Mercosul na transição gradual para uma produção de maior valor agregado voltada à exportação. As associações do setor têxtil da Argentina, Brasil, Paraguai e Europa (FITA, ABIT, AICP e Euratex) afirmaram publicamente seu compromisso de contribuir ativamente para a implementação do acordo, bem como de adotar ações que consolidem o setor em ambos os blocos como atores relevantes na economia global.”  Brasil pode ampliar presença na Europa  Outro aspecto fundamental é o alinhamento com exigências europeias cada vez mais rigorosas em sustentabilidade e rastreabilidade. Os produtores brasileiros de algodão desenvolveram um sistema de rastreabilidade que captura dados desde as primeiras etapas da produção. Isso permite que marcas e consumidores entendam não apenas onde o algodão foi processado, mas também como foi cultivado.  Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa, destaca iniciativas como o programa SouABR, pioneiro na rastreabilidade em larga escala na indústria têxtil brasileira baseada em tecnologia blockchain. O programa permite que consumidores acompanhem toda a jornada de um produto por meio de um QR code disponível nas etiquetas de itens feitos com algodão brasileiro responsável. “O SouABR dá transparência à produção do algodão brasileiro e permite o acompanhamento total da cadeia de custódia da fibra, que pode ser vista da semente ao guarda-roupa. Essa é uma forma de agregar valor ao nosso produto diante do mercado europeu, um dos mais exigentes do planeta”, avalia.   O Sistema de Identificação da Abrapa (SAI) é uma das poucas plataformas no mundo a oferecer rastreabilidade fardo a fardo, fornecendo dados detalhados e confiáveis para a cadeia de valor. Isso significa que a rastreabilidade está disponível no nível do fardo, do campo ao fiador, oferecendo profundidade única de informações sobre origem, práticas agrícolas e indicadores de sustentabilidade.  Próximos passos do acordo  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta terça-feira (28), o decreto de promulgação do acordo Mercosul-União Europeia, em evento no Palácio do Planalto. No entanto, o texto ainda enfrenta etapas institucionais na Europa. O Parlamento Europeu decidiu encaminhar o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar sua implementação completa.  Caso o Tribunal valide os termos do acordo, o texto seguirá para votação final no Parlamento Europeu. Enquanto isso, a aplicação provisória pode ocorrer entre países que já concluíram seus procedimentos internos, como o Brasil. 

Abrapa e Biotrop discutem parceria para ampliar o uso de bioinsumos na produção de algodão
27 de Abril de 2026

Na última sexta-feira, 24/04, representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e da empresa Biotrop firmaram uma parceria com o objetivo de ampliar o uso de bioinsumos na cadeia produtiva do algodão brasileiro. A iniciativa é vista como uma alternativa ao uso de defensivos químicos no manejo de pragas da cultura, entre elas o bicudo do algodoeiro. A encontro teve a participação do vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella; os produtores e conselheiros da entidade, Carlos Alberto Moresco e Luiz Carlos Bergamaschi; o diretor executivo da associação, Marcio Portocarrero; o gerente do programa Cotton Brazil, Fernando Rati; e a diretora de relações institucionais, Silmara Ferraresi. O presidente da Biotrop, Jonas Hipólito; a head de algodão, Paula Luporini; e o diretor comercial, Carlos Baptista representaram a empresa especializada no desenvolvimento de soluções biológicas. Durante o encontro, Celestino Zanella destacou os benefícios do uso de bioinsumos e o potencial da parceria para aprimorar o controle de pragas e doenças. “O principal objetivo da Abrapa é viabilizar a cotonicultura, e o controle biológico de pragas é de extrema importância neste processo. A Biotrop tem realizado um trabalho brilhante nos últimos anos, e poderá ajudar os produtores na construção do futuro do algodão”, analisou. Parceria estratégica para promover o uso de bioinsumos Marcio Portocarrero apresentou as frentes de atuação da Abrapa e destacou o papel do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) no incentivo ao uso de biológicos. Segundo ele, o tema integra o pilar de gestão ambiental, com foco na saúde do solo e no controle integrado de pragas. “Atualmente 78% das fazendas brasileiras que produzem algodão participam do programa ABR, dentre elas 83,6% usaram no último ano produtos biológicos para o controle de pragas e doenças”, afirmou. Para Fernando Rati, o uso de bioinsumos também contribui para a imagem do algodão brasileiro no mercado externo. “O bioinsumo é um instrumento poderoso para reforçar o posicionamento do internacional do algodão brasileiro enquanto produção agrícola ambientalmente responsável”. A promoção e a rastreabilidade do algodão brasileiro também estiveram na pauta. Silmara Ferraresi apresentou os avanços do programa SouABR e do movimento Sou de Algodão, e aproveitou a oportunidade para convidar a Biotrop a se juntar ao tima de empresas apoiadoras do movimento. “O movimento Sou de Algodão tem atualmente um time de empresas apoiadoras comprometidas com a sustentabilidade e origem do algodão, que estão conquistando um público cada vez mais engajado por valorizarem a transparência e a qualidade daquilo que consomem”, disse. Neste ano, a Biotrop participará do Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). Realizado pela Abrapa, o evento é considerado o principal da cotonicultura no país, e está há 15 anos reúnindo representantes de todos os elos da cadeia produtiva. A participação da Biotrop reforça a parceria da empresa com a associação. Redução de custos e sustentabilidade Jonas Hipólito destacou os investimentos da empresa em soluções que aumentam a eficiência dos bioinsumos no combate às pragas, com impacto na redução de custos no longo prazo. “A Biotrop é uma empresa focada na transformação da agricultura, com o objetivo de oferecer mais ferramentas para o setor. A cotonicultura brasileira é de vanguarda, de sustentabilidade, com o melhor que existe disponível para a produção de fibras”. Hipólito ainda explicou que a proposta da Biotrop para os cotonicultores brasileiros é oferecer os bioinsumos como instrumentos que equilibram o manejo, a rentabilidade e a sustentabilidade. “O biológico chega como uma ferramenta a mais para o cotonicultor, que permite fazer a gestão das pragas desafiadoras, como é o caso do bicudo. Isso acontece com controle efetivo, custo atrativo e rentabilidade tão necessária para o desenvolvimento da atividade”. Próximos passos No dia 13 de maio, a Biotrop participará, junto à Abrapa, de uma visita de campo na fazenda do Grupo Moresco, em Luziânia (GO). O encontro permitirá avaliar, na prática, os resultados dos bioinsumos na lavoura e também contará com a presença de representantes de órgãos oficiais, como Ibama e Anvisa.

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