Workshop promovido pela Abrapa debate manejo integrado de pragas e doenças do algodão
18 de Maio de 2026O avanço de estratégias integradas no combate às principais pragas e doenças do algodão foi tema do 3º Workshop Integrado de Pragas e Doenças do Algodão, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) através do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) nesta quarta-feira, 14/05, em Brasília. O encontro, que contou com apoio da Bayer, reuniu associações estaduais, representantes da indústria, pesquisadores nacionais e internacionais para discutir os principais desafios fitossanitários enfrentados pela cotonicultura brasileira e as alternativas para tornar a produção mais eficiente e sustentável. A programação foi dividida em três temas prioritários: 1) Manejo de Bicudo e Lagartas; 2) Manejo de Doenças, como ramulária e mancha-alvo; e 3) Uso de Biológicos; Abrapa destaca necessidade de avanços regulatórios para reforçar o MIPD O evento reforçou a importância do manejo durante a entressafra e da adoção de estratégias regionais coordenadas para evitar perdas de produtividade e conter o aumento dos custos. Na abertura do workshop, o vice-presidente da Abrapa, Paulo Aguiar, afirmou que a agricultura tropical exige soluções cada vez mais integradas para equilibrar produtividade e sustentabilidade. Segundo ele, os produtos biológicos vêm ganhando espaço como alternativa complementar aos defensivos químicos, especialmente diante da pressão por sistemas produtivos mais sustentáveis e eficientes. De acordo com Aguiar: “O desafio da agricultura tropical exige cada vez mais inovação e integração de tecnologias. Os biológicos ajudam a reduzir o uso de defensivos químicos, mas também precisamos avançar no desenvolvimento e na aprovação de novas moléculas que já são utilizadas nos Estados Unidos e na Europa. O objetivo deste workshop é justamente reunir diferentes elos da cadeia para avançarmos em um modelo de produção mais sustentável dentro do programa ABR”. Durante a sua fala, o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, antecipou que o Ministério da Agricultura deverá lançar ainda neste mês o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA) do novo Marco Regulatório dos Defensivos Agrícolas. A iniciativa construída com investimentos da associação, vai unificar os sistemas de liberação de pareceres do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para agilizar o registro de novas molécula para insumos agrícolas. Portocarrero também citou a importância do manejo integrado de pragas para a redução de custos de produção. “O grande desafio hoje para os produtores de algodão é aumentar a produtividade e reduzir custos, o que se torna um desafio, diante do atual cenário mundial. Para termos mais eficiência nas operações precisamos trabalhar com a integração dos biológicos e com tudo o que temos disponível em termos de tecnologia e manejo para aumentarmos a margem. O diretor executivo da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Gustavo Prado, falou sobre o alinhamento dos objetivos entre as entidades em relação ao MIPD. “Existe um alinhamento muito forte entre a Abrapa e a Abapa na busca por soluções que unam sustentabilidade, produtividade e competitividade para a cotonicultura brasileira. O mais importante é ver todos os elos da cadeia na mesma direção, compartilhando conhecimento, experiências de campo e boas práticas que fortalecem os resultados do algodão brasileiro”, explicou. Representando a Bayer, o gerente de marketing de algodão, Eduardo Correa, afirmou que iniciativas como o workshop ajudam a aproximar a indústria das necessidades do produtor rural e fortalecem o desenvolvimento de soluções alinhadas à realidade do campo brasileiro. Manejo do bicudo e lagartas O combate ao bicudo e às lagartas ocupou a maior parte da programação. Especialistas defenderam que o manejo integrado depende de planejamento contínuo, monitoramento e integração entre diferentes ferramentas de controle. A abertura do painel sobre bicudo trouxe um panorama da praga nas principais regiões produtoras do país, com participações do pesquisador do Instituto Mato Grossense de Algodão, Dr. Edson Júnior, do gerente fitossanitário da Abapa, Dr. Giorge Gomes, e do coordenador de fitossanidade do grupo SLC Agrícola, Alexandre Pisoni. Na sequência, a destruição de soqueira apareceu como um dos grandes desafios atuais da cotonicultura. Em palestra específica sobre o tema, o Dr. Edson Júnior reforçou que a eliminação adequada dos restos culturais segue sendo um gargalo para muitos produtores, apesar de seu papel central no manejo do bicudo. Durante seu painel, o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Dr. Jorge Torres, destacou que o manejo começa ainda na entressafra. Torres reforçou que o vazio sanitário continua sendo essencial, mas precisa estar associado a outras estratégias para garantir eficiência no controle da praga. Outro destaque foi a apresentação da Rede Bicudo Brasil, conduzida pelo pesquisador da Fundação Bahia, Me. Allef Silva. Segundo o pesquisador, os ensaios sobre o bicudo são realizados simultaneamente em diferentes regiões produtoras do país, permitindo comparar resultados em distintas condições climáticas e produtivas. Os dados obtidos serviram de base técnica para orientar as recomendações de manejo mais eficientes para cada realidade regional. Na discussão sobre manejo de lagartas, o pesquisador em entemologia da Multcrop, Dr. Antonio Carlos, apresentou estratégias voltadas ao controle das principais espécies que afetam o algodoeiro. Já o professor da Universidade Federal de Pelotas, Dr. Daniel Bernardi, abordou o comparativo de eficácia entre inseticidas genéricos e moléculas mais efetivas no manejo de lagartas. Complementando o debate, o sócio diretor da Holagri, Guido Sanchez, relembrou a trajetória de controle da lagarta-rosada, que, para ele, é um case que demonstra como alinhamento regional é importante para mitigar pragas em várias culturas, incluindo do algodoeiro. O fortalecimento do refúgio e os desafios relacionados à adoção da prática foi abordado pelo gerente de marketing da Bayer Algodão, Eduardo Correa. O gerente citou as inovações da Bayer em relação aos defensivos e mostrou os dados de como cada um deles tem funcionado de acordo com a praga e a região que foram aplicados no país. Para contribuir com o debate e a troca de experiências entre cientistas e produtores, ocorreu entre as apresentações duas rodadas de discussão mediadas pelo gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro. A primeira delas contou com o produtor de algodão do estado da Bahia, Jarbas Bergamaschi, o Dr. Edson Junior, junto com o Dr. Jorge Torres e foi dedicada a discutir estratégias regionais e o fortalecimento do manejo integrado. A segunda rodada reuniu o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz, da Universidade de São Paulo, o pós-doutor em Biologia Molecular Aplicada à Entomologia, Celso Omoto, a Coordenadora de Desenvolvimento e Extensão do Departamento de Agricultura e Pesca do estado de Queensland, na Austrália, a PhD em sobrevivência de Spodoptera Litura em algodão Bollgard 3, Sharna Holman, o agrônomo da Fazenda Sete Povos (BA), Ricardo Atarass, e Alexandre Pisoni. Doenças desafiam eficiência dos fungicidas O manejo de doenças ganhou espaço com discussões voltadas principalmente ao avanço da ramulária e da mancha-alvo nas lavouras brasileiras. Pesquisadores alertaram para o aumento da resistência dos patógenos e para a necessidade de revisão das estratégias atualmente utilizadas no campo. Representando a Fundação Chapadão, o pesquisador Dr. Deivid Sacon afirmou que as ferramentas disponíveis atualmente já não conseguem controlar as doenças de forma plenamente efetiva. Segundo ele, a redução do intervalo entre aplicações e a combinação de fungicidas têm apresentado resultados mais consistentes nas lavouras de Mato Grosso do Sul. O tema continuou em pauta na apresentação do Dr. Fabiano Perina (Embrapa Algodão), sobre o manejo assertivo de Ramulariopsis pseudoglycines e Corynespora cassiicola. Os especialistas defenderam que o avanço das doenças exige um manejo mais técnico e integrado, associando monitoramento, posicionamento correto de produtos e estratégias preventivas para preservar a eficiência das moléculas disponíveis. Biológicos avançam, mas exigem estrutura e tecnologia O uso de biológicos apareceu como estratégia promissora para a cotonicultura, embora especialistas tenham ressaltado que a adoção dessas ferramentas ainda exige mudanças importantes dentro das propriedades rurais. Em palestra sobre desafios e casos de sucesso no uso de biológicos, o produtor e engenheiro agrônomo Cézar Busato relatou experiências do oeste baiano e afirmou que o sucesso dessas tecnologias depende de estruturas e processos que não fazem parte da rotina tradicional das fazendas. Segundo ele, o avanço dos biológicos permitiu reduzir significativamente o uso de químicos e contribuiu diretamente para solucionar problemas relacionados ao mofo branco nas áreas produtivas. A importância dos biológicos no equilíbrio do sistema produtivo é uma das principais vantagens na visão dos especialistas. Quando corretamente posicionados, esses produtos ajudam a reduzir o desenvolvimento de fungos e vírus, reforçando o manejo integrado e ampliando a sustentabilidade das lavouras. Fortalecimento de alianças internacionais Participantes da Austrália, Paraguai e Argentina destacaram a evolução das estratégias de manejo adotadas pelo Brasil e a importância da integração entre produtores, pesquisadores e indústria para enfrentar os desafios fitossanitários. Daniela Vitti, bióloga e mestre em gestão ambiental do INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina), ressaltou a importância de eventos técnicos desenvolvimento da agricultura sustentável na América Latina. “Eventos como esse são mais que positivos para promover as alianças e cooperações entre países. Temos pontos em comum com a produção do algodão, então o compartilhamento dos conhecimentos nos ajuda a enfrentar os desafios, mesmo que tenhamos muitas diferenças em termos ambientais para cada região algodoeira, há muitas de coisas que podemos colaborar para o manejo do cultivo, para a produção e para a cadeia”, comentou Vitti. Construção coletiva de soluções No encerramento, o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, citou o MIPD como um dos temas prioritários do Programa ABR por ser uma forma de buscar o equilíbrio do sistema produtivo através do monitoramento, aliado ao uso racional de defensivos e da biotecnologia, promovendo uma cotonicultura mais responsável. “O grande avanço do MIPD está na integração entre pesquisa, tecnologia e experiência prática no campo. O algodão brasileiro evolui quando toda a cadeia trabalha de forma coordenada para construir soluções sustentáveis e eficientes”, afirmou.
Brasil e Austrália fortalecem diálogo sobre pesquisa, produção sustentável e colaboração em fibra natural
16 de Maio de 2026O Cotton Brazil realizará a missão internacional “Cotton Brazil Dialogues” na Austrália entre os dias 17 e 22 de maio de 2026. A programação levará uma delegação brasileira para visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão da Austrália. A iniciativa tem como objetivo promover o intercâmbio técnico entre os setores algodoeiros brasileiro e australiano, com foco em inovação, sustentabilidade, pesquisa aplicada, eficiência no uso da água, logística e gestão agrícola, contando com apoio do Rabobank. Ao longo da programação, os participantes visitarão fazendas, centros de pesquisa, laboratórios, algodoeiras, empresas de classificação de fibra e estruturas logísticas estratégicas que dão suporte às exportações australianas de algodão. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a missão fortalece o posicionamento internacional do algodão brasileiro e amplia o diálogo técnico com mercados e importantes players globais do setor. “Como responsáveis pela produção do algodão, a fibra natural mais reconhecida do mundo, é importante fortalecer nossos laços com outros países produtores e construir uma agenda conjunta”, afirma Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa e integrante da delegação. Agenda técnica A programação terá início em Sydney e seguirá por regiões estratégicas da cotonicultura australiana, incluindo Moree, Wee Waa, Narrabri, Goondiwindi, Dalby, Toowoomba e Brisbane. Entre os destaques da agenda está a visita à Sundown Pastoral Company, uma das maiores produtoras de algodão da Austrália e referência em eficiência no uso da água e sustentabilidade no campo. O roteiro inclui ainda a propriedade Keytah, localizada em New South Wales, reconhecida internacionalmente pelos altos índices de produtividade e pelo avançado modelo de gestão hídrica. A fazenda produz até 78 mil fardos de algodão por ano. A missão também visitará a Australian Food & Fibre (AFF), uma das principais empresas do agronegócio australiano com operações integradas em toda a cadeia do algodão, além da Cotton Seed Distributors (CSD), empresa especializada em melhoramento genético e desenvolvimento de sementes de algodão. Outro ponto importante da programação será a visita ao Australian Cotton Research Institute (ACRI), um dos principais centros de pesquisa da Austrália voltados para produtividade, manejo de pragas, uso eficiente da água e práticas agrícolas sustentáveis. A agenda inclui ainda encontros com representantes da Warakirri Asset Management, uma das maiores plataformas de investimentos agrícolas da Austrália, e da ProClass, principal empresa independente de classificação de algodão do país. Na etapa final da missão, os participantes visitarão as instalações da Queensland Cotton, integrante da Olam Agri, além do laboratório da Bayer Crop Science em Toowoomba e do Porto de Brisbane, principal corredor logístico de exportação agrícola do estado de Queensland. Pesquisadores australianos visitaram o Brasil Durante o mês de maio, antes da visita da delegação brasileira à Austrália, um grupo de pesquisadores australianos da The Cotton Research and Development Corporation (CRDC), por meio do programa de extensão CottonInfo, esteve no Brasil para uma agenda focada em intercâmbio técnico sobre temas como manejo de pragas, resiliência climática e saúde do solo. O grupo visitou fazendas nos estados de Mato Grosso e Bahia, instituições de pesquisa e participou de um workshop técnico sobre Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD), organizado pela Abrapa em Brasília. “Chamou atenção durante nossa visita ao Brasil o quanto o setor agrícola é inovador e tecnologicamente avançado, a força da pesquisa aplicada e a forma como diferentes atores trabalham juntos para impulsionar o sucesso da agricultura, especialmente do algodão”, afirmou Jamie Street, agrônomo consultor baseado em St George, Queensland, especializado na produção australiana de algodão. Referências globais na produção de algodão A Austrália é considerada uma das principais referências mundiais na produção de algodão, especialmente em eficiência de irrigação, pesquisa aplicada e integração entre produção e logística de exportação. Ao mesmo tempo, o Brasil consolidou sua posição como um dos maiores produtores e exportadores de algodão do mundo, impulsionado por sistemas produtivos em larga escala, avanços tecnológicos, iniciativas de sustentabilidade, investimentos contínuos em rastreabilidade e programas de qualidade, além da capacidade de garantir oferta ao mercado global durante todo o ano. A missão técnica cria uma oportunidade de aprendizado mútuo entre dois importantes players globais do setor algodoeiro, permitindo a troca de experiências e a exploração de diferentes abordagens relacionadas à produtividade, inovação e produção sustentável. Relações internacionais O Cotton Brazil Dialogues foi lançado em 2025 com o objetivo de fortalecer as relações institucionais e técnicas entre o algodão brasileiro e mercados estratégicos, promovendo maior aproximação entre produtores, representantes da indústria, pesquisadores e demais agentes da cadeia têxtil global, além de ampliar a promoção do algodão como fibra natural e sustentável. “O Cotton Brazil Dialogues foi criado com o propósito de construir conexões de longo prazo entre o algodão brasileiro e atores estratégicos da cadeia global de valor. Dentro do contexto dessa iniciativa, vemos o intercâmbio com outros países produtores de algodão como fundamental para gerar valor para todo o setor”, afirmou Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa. Sobre o Cotton Brazil O Cotton Brazil é um programa de promoção internacional do algodão brasileiro desenvolvido pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A iniciativa atua na promoção comercial, no posicionamento institucional e no fortalecimento da imagem do algodão brasileiro no mercado global, destacando atributos como qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e confiabilidade no fornecimento.
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 15/05/2026
15 de Maio de 2026Destaque da Semana 1 - O WASDE do USDA foi altista ao projetar queda dos estoques mundiais em 2026/27 e redução dos estoques finais dos EUA, mas isso não foi suficiente para sustentar NY. O mercado já estava tecnicamente esticado, e a tentativa de romper 89,00 U$c/lb falhou. Jul/26 iniciou uma correção forte após fazer máxima de 88,88 U$c/lb. Destaque da Semana 2 - O gatilho baixista foi o relatório de exportações dos EUA, com vendas líquidas de apenas 47,7 mil fardos, o menor volume do ano comercial, mostrando que as fiações não sustentaram compras acima de 83,00–84,00 U$c/lb. Jul/26 caiu de 87,36 para 82,86 U$c/lb no mesmo pregão, enquanto a região de 81,00–82,00 U$c/lb virou a principal linha de defesa do mercado. Destaque da Semana 3 - As exportações brasileiras de algodão se mantiveram em ritmo acelerado, somando 95,96 mil toneladas na primeira semana de maio. A média diária de embarques ficou 109,7% acima da registrada em mai/25, reforçando o forte desempenho das vendas externas brasileiras. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 14/mai cotado a 83,96 U$c/lp (+1,2% vs. 07/mai). O contrato Dez/26 fechou em 84,48 U$c/lp (+0,9% vs. 07/mai). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 769 pts para embarque Mai/Jun-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 14/mai/26. Altistas 1 - O último WASDE do USDA trouxe uma leitura altista para o algodão. A primeira estimativa para 2026/27 projeta consumo mundial no maior nível dos últimos 6 anos, em aproximadamente 26,5 milhões de toneladas, enquanto a produção cai para cerca de 25,3 milhões de toneladas. Altistas 2 - O cenário gera um déficit global de oferta e reduz os estoques finais, reforçando a percepção de mercado mais apertado. Altistas 3 - O Brasil segue como protagonista no comércio internacional. O USDA projeta o país como maior exportador mundial, com volume recorde de aproximadamente 3,27 milhões de toneladas, seguido pelos Estados Unidos, com cerca de 2,68 milhões de toneladas. Altistas 4 - Ainda segundo o WASDE, o Vietnã deve se tornar o maior importador global, mostrando que a demanda asiática continua relevante. Altistas 5 - O risco climático dentro e fora dos EUA segue no radar. Preocupação com El Niño para Austrália e Índia. Oeste do Texas continuava seco, com pouca previsão de alívio antes do fim de maio. Baixistas 1 - O WASDE altista não foi suficiente para sustentar o mercado, mostrando que a demanda física fraca pesou mais do que o balanço mais apertado de 2026/27. Baixistas 2 - O relatório de exportações dos EUA foi fraco, com vendas líquidas de apenas 47,7 mil fardos, o menor volume do ano comercial. Baixistas 3 - O basis está caindo porque muitas tradings estão carregadas com algodão das safras 2025 e 2026. Com pouco carregamento entre Jul/26 e Dez/26, o custo de manter algodão em estoque pressiona vendedores a reduzir prêmios. Baixistas 4 - A reunião entre Xi Jinping e Donald Trump decepcionou parte do mercado por não trazer confirmação de compras chinesas de commodities agrícolas dos EUA. Sem anúncio concreto para o algodão, o mercado perdeu parte do prêmio de expectativa que havia sido incorporado antes do encontro. Baixistas 5 - O clima nos EUA trouxe algum alívio baixista, com previsão de chuvas no Oeste do Texas nos próximos 10 dias e melhora marginal da umidade do solo. Ainda assim, a região segue precisando de volumes mais fortes de chuva. Agenda - O Cotton Brazil realizará entre os dias 17 e 22 de maio a missão internacional “Cotton Brazil Dialogues Australia 2026”, levando uma delegação brasileira para visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão da Austrália. A agenda terá foco em pesquisa aplicada, sustentabilidade, eficiência hídrica, logística e inovação. Anuário 1 - O Brasil atingiu 31% de participação no comércio global de algodão na safra 2024/25, consolidando sua liderança nas exportações mundiais da fibra, segundo dados do Anuário Cotton Brazil 2025. Anuário 2 - O país também se consolidou como o terceiro maior produtor global de algodão, com 3,7 milhões de toneladas — equivalente a 15% da safra mundial —, ficando atrás apenas da China, líder do ranking, com 6,4 milhões de toneladas (25%), e da Índia, com 5 milhões de toneladas (20%). Confira o relatório completo aqui - https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Anuario-Cotton-Brazil-2025-PT.pdf?utm_source=chatgpt.com China 1 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou inverteram a tendência e encerraram a semana em queda. O contrato para setembro recuou 255 yuans, para 16.500 yuans por tonelada, enquanto o volume negociado aumentou significativamente em relação à semana anterior, encurtada por feriado. China 2 - O China Cotton Index (CC Index) também caiu, encerrando a semana em 17.967 yuans por tonelada. China 3 - O presidente dos EUA, Donald Trump, realizou uma visita oficial de três dias à China, em meio a esforços para aproximar as relações entre os dois países. Durante encontro em Pequim, o líder chinês Xi Jinping afirmou que China e EUA devem atuar como parceiros, e não rivais, destacando que a cooperação pode trazer benefícios mútuos. Índia - O governo indiano aprovou um reajuste nos preços mínimos de suporte (MSP) para o algodão na safra 2026/27. O valor para algodão de fibra média subirá 7,2%, passando de ₹7.710 para ₹8.267 por quintal, enquanto o preço para fibras longas avançará 6,8%, para ₹8.667. Paquistão 1 - O clima segue quente e seco nas principais regiões produtoras de algodão do Paquistão, com temperaturas atingindo a faixa dos 40 °C. Apesar das condições adversas, o plantio avança em bom ritmo, embora parte das lavouras tenha sido replantada. Produtores também relatam restrições hídricas em algumas regiões. Paquistão 2 - Os preços do algodão em caroço permanecem elevados no Paquistão, com negócios recentes fechados entre 9.700 e 10.000 rúpias por 40 quilos. Bangladesh 1 - A demanda de importação em Bangladesh segue concentrada em algodão disponível para embarques imediatos ou já em trânsito, com o objetivo de atender necessidades pontuais. Foram registrados negócios futuros envolvendo algodão brasileiro e da África Ocidental, além de maior interesse por algodão orgânico da Índia. Bangladesh 2 - Custos elevados de energia e dificuldades no abastecimento também seguem afetando a indústria têxtil. Dados preliminares indicam que o país importou mais de 178 mil toneladas de algodão em abril, o maior volume mensal em várias safras. EUA - O plantio de algodão alcançou 29% da área prevista até 10 de maio, levemente acima dos 27% registrados no mesmo período do ano passado. O avanço foi mais acelerado em parte do cinturão produtor, enquanto Texas — principal estado produtor do país — atingiu 27% da área plantada, em linha com 2025. Austrália - O mercado australiano registrou aumento nas vendas por parte dos produtores, impulsionado pela alta dos preços em Nova York. Para a próxima safra, porém, cresce a expectativa de redução significativa da produção diante do risco de formação do fenômeno El Niño. Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo. Quadro de cotações para 14.05 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
Brasil atinge 31% de participação no comércio global de algodão em 2024/25, aponta anuário do Cotton Brazil
15 de Maio de 2026Lançado nesta quarta-feira (13/05), o Anuário Cotton Brazil 2025 reúne os principais resultados e números do projeto ao longo de 2025, além de apresentar um panorama da oferta e demanda mundial de algodão no ano comercial 2024/25. A publicação destaca o avanço do Brasil no mercado internacional da fibra, consolidando o país como líder global nas exportações e ampliando sua participação no comércio mundial de algodão, além de trazer números consolidados dos programas SAI, SouABR, SBRHVI e ABR, implementados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão. Destaques do Anuário Cotton Brazil 2025 O Brasil manteve a liderança no ranking mundial de exportações e alcançou 31% de participação no comércio global de algodão em 2024/25. A produção mundial de algodão somou 25,3 milhões de toneladas no período. A China liderou o ranking, com 6,4 milhões de toneladas e 25% de market share, seguida pela Índia, com 5 milhões de toneladas e 20% de participação. O Brasil consolidou-se como o terceiro maior produtor global, com 3,7 milhões de toneladas — volume equivalente a 15% da safra mundial — superando os Estados Unidos, que registraram 3,1 milhões de toneladas. Entre os principais produtores, o Brasil registrou crescimento de 17% na produção em relação ao ciclo anterior, enquanto os Estados Unidos avançaram 19% e a China, 14%. Já a Índia apresentou retração de 10%. Bangladesh assumiu a liderança mundial nas importações de algodão, com 1,82 milhão de toneladas adquiridas, o equivalente a 21% do volume global negociado. O Vietnã tornou-se o principal destino do algodão brasileiro em 2024/25, importando 531 mil toneladas da pluma nacional, alta de 35% em relação ao ciclo anterior. O relatório também apresenta uma análise do consumo de algodão nos dez países prioritários do projeto: China, Índia, Turquia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã, Coreia do Sul, Indonésia, Egito e Tailândia. Leia o anuário completo em: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Anuario-Cotton-Brazil-2025-PT.pdf
Busca por posts não realizada
Busca por posts não realizada
Busca por posts não realizada