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Abrapa revisa projeção de colheita da safra 2021/2022

​Até o momento, 6,9% da área total de algodão foi colhida, segundo levantamento da Abrapa

27 de Junho de 2022

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), divulgou nesta sexta-feira (24), a revisão da colheita da safra 2021/2022. A previsão de crescimento ficará abaixo das estimativas iniciais, devido às intempéries climáticas que atingiram as regiões produtoras de maneira diferenciada, com chuvas excessivas ou seca. Diante deste cenário, a projeção é colher 2,609 mil toneladas de algodão, na safra 2021/2022, ante as estimativas iniciais de 2,8 milhões de toneladas. Apesar da revisão negativa, o volume de pluma projetado para a colheita 2021/2022 é 10,8% maior do que as 2,36 milhões de toneladas colhidas na safra passada. Os dados foram divulgados durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, que reuniu representantes do setor, em sessão híbrida.

Até 23 de junho, 6,9% da área total de algodão foi colhida, segundo levantamento da Abrapa. Os capulhos estão abrindo nas lavouras brasileiras e a colheita começa a ser a realidade. "Infelizmente, em um momento em que o mundo quer mais o algodão brasileiro tivemos essa questão climática que impactou nas lavouras", destacou o presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato.

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Safra 2022/2023

A safra 2022/23 começa oficialmente em 01 de agosto. Em junho de 2022, o ICAC divulgou as primeiras estimativas detalhadas para a nova temporada, mas poderá haver alterações,  especialmente do lado da oferta, sendo que a maior parte das lavouras do hemisfério norte já foi semeada e agora está em desenvolvimento vegetativo, susceptível aos efeitos do clima.

A área plantada global com algodão é estimada em 32,78 milhões de hectares, queda de 1%. As reduções são previstas nos EUA (-11%), na Austrália (-5%) e no Brasil (-1%). O elevado preço dos fertilizantes, dos combustíveis e a competitividade de outras commodities influenciam, sem dúvida, as decisões de plantio dos produtores mesmo com preços de algodão elevados. A seca extrema, no oeste do Texas, é apontada como uma grande preocupação, podendo resultar em altas taxas de abandono de área e na redução da estimativa de produção norte-americana.

A previsão é de que a produção some 26,13 milhões de toneladas. O volume é 0,93% superior ao do ciclo 2021/22 devido à recuperação de produtividades. O Paquistão é o destaque no aumento de produção, com projeção de 1,6 milhão de toneladas (crescimento de 25%). Há fortes incentivos e discussões domésticas para reduzir a dependência de importações. Atualmente, o consumo no mercado paquistanês supera em três vezes a produção no país.

O consumo global de algodão é projetado em 26,09 milhões de toneladas, queda de 0,25%. A demanda manteve-se forte durante a safra 21/22, recuperando-se do cenário pós-pandêmico. Entretanto, há sinais de que os consumidores podem estar diminuindo o apetite nas compras. O European Central Banks' Consumer Expectations Survey e o United States Consumer Confidence Survey apontam para uma redução da confiança do consumidor com o encarecimento dos alimentos e dos preços de combustíveis. Além disso, os lucros trimestrais de vários grandes varejistas americanos estão significativamente abaixo das expectativas, enquanto os pontos de venda com baixo custo (geralmente de fibras sintéticas) registraram melhores lucros.

 

Abit e Anea

Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) estiveram presentes na reunião da Câmara e também discorreram sobre o setor e o atual cenário. Fernando Pimentel, presidente da Abit, apresentou informações da produção têxtil entre abril (2021) e janeiro (2022), com queda de 19,2%. Nos 12 meses, porém, a queda atingiu 7,5%. Mesmo com indicativos negativos, Pimentel avalia que o cenário está melhorando. Na explanação do presidente da Anea, Miguel Faus, destaque para o trabalho de consolidação da pluma brasileira nos principais mercados, apesar do ano de incertezas por conta das eleições no Brasil. A estimativa da Anea para 2021-2022 é a exportação de 1.742 mil toneladas.

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