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Abrapa adere a manifesto e reforça oposição ao fim da “taxa das blusinhas”

Entidade que representa produtores de algodão se une a entidades do setor produtivo em defesa da isonomia tributária e da competitividade nacional

07 de Abril de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) formalizou adesão ao manifesto contra a possibilidade de extinção da chamada “taxa das blusinhas”, medida que instituiu a cobrança de tributos sobre produtos importados vendidos por plataformas estrangeiras de e-commerce.


A movimentação ocorre em meio a discussões no governo sobre uma eventual revisão da política tributária aplicada a remessas internacionais de baixo valor. De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli: “A proposta representa um risco concreto de retrocesso para a cadeia produtiva nacional, especialmente em setores diretamente impactados pela concorrência internacional, como o têxtil e o de vestuário ambos fortemente conectados à produção de algodão no país”.


Retrocesso para a indústria brasileira


O manifesto sustenta que o fim da isenção tributária, iniciado em 2023 com a cobrança de ICMS no âmbito do programa Receita Federal do Brasil e ampliado em 2024 com a instituição do imposto de importação, contribuiu para uma série de avanços econômicos. Entre eles, a geração de milhões de empregos, a retomada do crescimento da indústria e do varejo e o aumento da arrecadação federal.


Dados citados no documento indicam que, desde a implementação das medidas, o comércio criou cerca de 860 mil empregos diretos, enquanto a indústria gerou outros 578 mil postos formais. No mesmo período, o Brasil registrou taxa de desemprego de 5,1% ao fim de 2025, a menor da série histórica.


Piccoli destaca que esses resultados também se refletem no campo. “O fortalecimento da indústria têxtil nacional amplia a demanda por matéria-prima brasileira, consolidando o algodão como um dos pilares da indústria brasileira de transformação”.


Impacto fiscal


Outro ponto ressaltado é o impacto fiscal. De acordo com o manifesto, apenas em 2024 o comércio recolheu R$ 246 bilhões em tributos federais, um acréscimo de R$ 36,9 bilhões em relação ao ano anterior. Já a arrecadação com o imposto de importação sobre remessas internacionais somou cerca de R$ 5 bilhões em 2025. A reversão da política, segundo estimativas apresentadas, poderia resultar em perda anual próxima de R$ 42 bilhões para a União.


Hábitos de consumo


Na avaliação das entidades signatárias, a chamada “taxa das blusinhas” não restringiu o consumo, mas contribuiu para equilibrar a concorrência. Pesquisa do Instituto Locomotiva, citada no manifesto, aponta que a maioria dos consumidores manteve ou até ampliou compras em plataformas internacionais, mesmo após a tributação, enquanto parte migrou para o varejo nacional.


As entidades que lançaram o manifesto reforçam que a manutenção da medida é fundamental para garantir previsibilidade e segurança aos investimentos. A expectativa do setor é que apenas o comércio invista cerca de R$ 100 bilhões no país em 2026, movimento que poderia ser comprometido em caso de mudanças no atual modelo tributário.


Contexto internacional


Ao aderir ao documento, a Abrapa se soma a um amplo conjunto de representantes da indústria e do varejo que defendem a continuidade da política atual.


O manifesto também insere o Brasil em um contexto internacional. Países como Estados Unidos, membros da União Europeia têm adotado medidas semelhantes para tributar remessas internacionais e proteger suas cadeias produtivas, diante da expansão de plataformas globais de e-commerce.


Leia o manifesto na íntegra:
Manifesto_Isonomia_Tributária


 

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