Com a colheita da safra 2025/2026 de algodão já iniciada e até finalizada em alguns estados, como Paraná e São Paulo, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados se reuniu na quinta-feira (25/06), durante a programação do XXIII ANEA Cotton Dinner, com atualizações nas projeções de produção, produtividade e exportação do algodão. Participaram do encontro representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA), da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), além das associações estaduais de produtores de algodão e do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Expectativa é de boas médias de produtividade, apesar de chuvas fora de época
Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa, presidiu a sessão e apresentou a última estimativa da entidade para a produção da safra 2025/2026, que deve ficar em 3,9 milhões de toneladas de pluma, um recuo de 8,2% em relação ao ano anterior. Já a produtividade nacional permanece estável, seguindo os bons resultados da safra 2024/2025, com uma média de 1.954 kg de pluma por hectare.
Para o produtor e presidente da Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Orcival Guimarães, a produtividade e a qualidade do algodão não devem ser afetadas pelas chuvas registradas na última semana na região, com exceção de áreas de algodão de primeira safra (cerca de 10% do total), que já estavam desfolhadas. O estado teve redução de cerca de 11% na área plantada, mas ainda é o maior produtor de algodão do Brasil, com 1,3 milhão de hectares destinados ao cultivo.
Já na Bahia, a expectativa é manter a produtividade registrada na safra anterior, com bons resultados para o algodão tanto em regime de sequeiro quanto irrigado. Douglas Orth, vice-presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), compartilhou a situação das lavouras na região Oeste do estado e confirmou a estimativa de mais de 925 mil toneladas de pluma de algodão baiano para a safra 2025/2026.
Setor celebra recorde histórico nas exportações de algodão
Durante sua fala, Dawid Wajs, presidente da ANEA, destacou o marco histórico nos embarques de algodão para o exterior, que ultrapassaram 3,2 milhões de toneladas entre julho de 2025 e junho de 2026. Segundo Wajs, o resultado se deve a um conjunto de fatores, como o mercado internacional demandante e o aumento da percepção da qualidade do algodão brasileiro pela indústria têxtil, especialmente a asiática, como a chinesa e a indiana.
Indústria têxtil propõe debate sobre inovação no uso de fibras naturais
Fernando Pimentel, diretor-superintendente e presidente emérito da Abit, compartilhou a Agenda 2030 da entidade, com foco em inovação, competitividade e sustentabilidade, e destaque para o complexo algodão-indústria têxtil, que é um dos diferenciais do Brasil. O executivo mencionou a necessidade de atuação conjunta em temas prioritários, como o imposto de importação sobre remessas internacionais de até US$ 50, conhecido como a "Taxa das Blusinhas". A medida que levou à volta da isenção é vista pelo setor produtivo como prejudicial à indústria nacional, além de promover o consumo de matéria-prima sintética, principalmente o poliéster.
Sobre novos usos de fibras naturais pela indústria, o professor Raul Fangueiro, pró-reitor de Inovação, Empreendedorismo e Transferência de Conhecimento da Universidade do Minho, de Portugal, apresentou a Fibrenamics. A iniciativa internacional de inovação e pesquisa é focada no desenvolvimento, teste e comercialização de produtos avançados à base de fibras e materiais compósitos, e defende o futuro do algodão como um material funcional, sustentável e inteligente. "O algodão combina natureza, desempenho e potencial de engenharia, sendo uma plataforma estratégica para o desenvolvimento de materiais funcionais de próxima geração", avaliou Fangueiro.
Bolsa Brasileira de Mercadorias apresenta sua estrutura para o mercado de algodão
Christiano Erhart, presidente da Bolsa Brasileira de Mercadorias, apresentou o conjunto de plataformas e sistemas da associação disponíveis para a realização de negócios com o algodão brasileiro. Com 100 corretoras associadas e capilaridade nos principais polos agrícolas do país, a BBM reúne informações sobre o mercado de algodão em pluma, como cotações, regulamento, relatórios estatísticos, tabela de ágio e deságio, além de sistemas de registro de negócios, câmara arbitral e plataforma de leilões.
A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados deve voltar a se reunir em 15/09 e 02/12.
