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Sou de Algodão promove debates sobre rastreabilidade, mercado e futuro da moda na Brazilian Cotton School

Evento realizado no Senai Francisco Matarazzo reuniu representantes de toda a cadeia têxtil para discutir transparência, colaboração e os caminhos da moda brasileira

31 de Março de 2026

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), realizou, na última quinta-feira (26), uma série de painéis na Brazilian Cotton School, em São Paulo, reunindo representantes de diferentes elos da cadeia têxtil para discutir rastreabilidade, sustentabilidade e o futuro da moda no Brasil. O encontro aconteceu no Senai Francisco Matarazzo, no Brás, e reforçou o papel do movimento como articulador entre produtores, indústria, varejo, criadores e formadores de opinião.


Ao longo da programação, três painéis promoveram conversas complementares, conectando temas técnicos, estratégicos e criativos. Para Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Abrapa e gestora do movimento, a proposta do encontro foi justamente ampliar esse diálogo entre os diferentes agentes do setor. “Quando reunimos diferentes elos da cadeia em um mesmo espaço, conseguimos avançar em discussões que não acontecem de forma isolada. O Sou de Algodão nasce com esse propósito de integração, de construir pontes e de dar visibilidade a tudo o que está por trás da moda que chega ao consumidor”, enfatiza.


“Com a oportunidade de recebermos vários parceiros do movimento Sou de Algodão na Brazilian Cotton School, pudemos discutir e evidenciar o uso do algodão brasileiro na nossa indústria da moda com os 36 integrantes da turma de 2026. Para mim, o ponto de destaque é que esse trabalho é contínuo e muito já foi feito, mas é essencial para todos nós que essa missão continue”, destaca Jonas Nobre, diretor executivo da instituição.


Rastreabilidade e transparência ganham espaço na cadeia da moda


O primeiro painel, dedicado ao programa SouABR, colocou em pauta a rastreabilidade da cadeia de custódia do algodão certificado, reunindo empresas que já atuam diretamente com o tema. A discussão partiu de um cenário em que o consumidor demonstra interesse crescente por sustentabilidade e transparência, mas ainda encontra dificuldade para acessar informações claras sobre a origem dos produtos.


A partir de experiências práticas, as empresas compartilharam como a rastreabilidade tem evoluído dentro das operações, deixando de ser um projeto piloto para ganhar escala. Para Nívea Pizzolito, gerente de sustentabilidade da C&A, esse processo aconteceu de forma gradual, com testes que permitiram validar a estratégia. “A gente começou com um piloto pequeno, com cerca de 1.500 peças, para entender a tecnologia e a aceitação dos clientes. Os resultados foram muito positivos e isso nos deu segurança para expandir”, afirma. Segundo ela, o crescimento foi consistente ao longo do tempo. “Hoje já temos mais de 115 mil peças rastreáveis, e percebemos que os clientes não só consomem como também pedem novos produtos com essa proposta”, completa.


A importância da integração entre os elos também foi destacada durante a conversa. Para Marco Antônio Branquinho, CEO da Vicunha Têxtil, a sustentabilidade precisa fazer parte da essência do negócio. “Não é uma questão de imagem, mas de crença. Precisa estar dentro da organização como parte da estratégia da empresa”, ressalta.


Do ponto de vista da confecção, a rastreabilidade aparece como uma ferramenta de valorização do processo produtivo. Gabriele Ghiselini Cavaliunas, diretora da Emphasis, chama atenção para esse aspecto ao destacar que “ela mostra as mãos que fizeram, traz transparência e fortalece a percepção de qualidade e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia”, diz.


Na origem da produção, o impacto também é significativo. Isabela Busato, gestora de controles e processos do Grupo Busato, reforça a importância da conexão com o consumidor final. “É muito gratificante ver o algodão produzido nas nossas fazendas chegar ao consumidor e estar presente na etiqueta de uma peça”, evidencia, ao destacar o papel da rastreabilidade em aproximar o campo da moda.


Já do ponto de vista tecnológico, a complexidade da cadeia foi um dos pontos abordados. André Maltz Turkienicz, CEO da AgTrace, explica que estruturar esse processo exige organização e padronização de dados. “A cadeia do algodão é longa e envolve muitos elos, mas o Brasil tem uma base muito organizada na produção, o que permite construir uma rastreabilidade consistente”, afirma.


Conexão entre indústria, varejo e consumidor fortalece o setor


No segundo painel, o foco se voltou para o papel do movimento Sou de Algodão como agente de conexão dentro da cadeia têxtil. Representantes de diferentes segmentos discutiram como a colaboração entre indústria, varejo e serviços pode impulsionar o desenvolvimento do setor e ampliar o diálogo com o consumidor.


Para Haroldo da Silva, economista-chefe da Abit, essa articulação é estratégica para o Brasil, especialmente diante do potencial produtivo do país. “Essa parceria entre Abrapa, Sou de Algodão e outras instituições já nasce vencedora, porque o Brasil é um grande produtor de algodão e precisa transformar essa matéria-prima em produtos com valor agregado”, declara.


Do lado do varejo, a conversa trouxe a perspectiva de quem está mais próximo do consumidor final. Karina D’Ornelas, gerente de sustentabilidade da Riachuelo, destaca a relevância do algodão dentro desse contexto. “O algodão está presente na grande maioria dos nossos produtos e é uma escolha que reflete tanto responsabilidade socioambiental quanto a construção de uma relação mais próxima com os produtores e com a cadeia”, diz.


Outro ponto central do debate foi a necessidade de estimular um consumo mais consciente por meio da informação. Para Mariana Amaral, sócia-fundadora da Etiqueta Certa, esse movimento passa por mudanças de hábito. “Assim como já fazemos com alimentos e cosméticos, é importante que as pessoas passem a olhar as etiquetas das roupas, entendendo a composição, a durabilidade e a origem das peças que consomem”, destaca.


Educação e novas gerações impulsionam o futuro da moda


Encerrando a programação, o terceiro painel trouxe uma reflexão sobre o futuro da moda a partir da perspectiva de criadores, educadores e comunicadores. A conversa destacou o papel do movimento na aproximação entre indústria e criação, além de sua atuação junto às novas gerações.


Para o estilista João Pimenta, um dos principais impactos do Sou de Algodão está na capacidade de conectar diferentes agentes do setor. “Na moda, muitas vezes cada um atua de forma isolada, e o movimento consegue fazer essa conexão entre indústria, criação e mercado”, afirma.


A jornalista e editora-chefe da Capricho, Andréa Martinelli, também reforça essa visão ao destacar o papel do movimento como articulador. “O Sou de Algodão é um agente de mudança importante, porque conecta todos os pontos da cadeia, do produtor ao consumidor, e amplia a forma como enxergamos o algodão brasileiro”, diz.


A relação com o meio acadêmico também se destacou como um dos impactos do movimento. Para Ana Paula Mendonça Alves, coordenadora acadêmica do Senac SP, essa aproximação amplia o repertório dos estudantes e contribui para uma formação mais conectada com a realidade do setor. “O movimento Sou de Algodão é fundamental para criar conexões que vão além do ambiente tradicional da faculdade, aproximando os alunos de outras etapas da cadeia, como a produção do algodão. Esse contato é muito rico, porque ajuda a conscientizar os estudantes sobre todo o percurso do material que eles utilizam, desde a origem até a aplicação na vida profissional”, reitera.


Já André Hidalgo, diretor da Casa de Criadores, chama atenção para a importância de iniciativas que aproximam novos talentos da indústria. “O Sou de Algodão veio para unir a cadeia em torno de uma questão fundamental, que é a sustentabilidade, além de aproximar estilistas da indústria e mostrar caminhos possíveis para trabalhar com essa matéria-prima”, afirma.


Para Manami Kawaguchi Torres, gestora de relações institucionais do movimento, essa conexão entre os diferentes elos da cadeia é essencial para a construção de uma moda mais consciente. “Quando conseguimos aproximar criação, indústria, varejo e produção, ampliamos o entendimento sobre todo o processo por trás de uma peça”, afirma. Ao refletir sobre o impacto do evento, ela reforça o papel do diálogo como motor de transformação. “Esse tipo de encontro mostra que a evolução da moda passa pela colaboração e pelo entendimento de que todos fazem parte da mesma cadeia, com responsabilidades e oportunidades compartilhadas”, conclui.


Sobre Sou de Algodão
Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão.


Abrace este movimento: 


Site: www.soudealgodao.com.br


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