A capital federal sediou a primeira etapa edição 2026 da Brazilian Cotton School, iniciativa voltada a qualificar especialistas envolvidos com o mercado de algodão para atuar no mercado nacional e internacional da pluma. O programa, que reúne alunos de diversos estados e representantes de múltiplos segmentos que vão desde a produção agrícola e comércio internacional até a logística e áreas jurídicas, iniciou suas atividades na sede da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), com foco na imersão dos alunos desde o início da cadeia produtiva.
A iniciativa é fruto de uma aliança estratégica entre a Abrapa, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM).
A solenidade de abertura contou com a participação do Presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, que deu as boas-vindas aos participantes e reforçou a importância do papel da Cotton School na realização de imersões de excelência para profissionais que querem se aprofundar no setor algodoeiro e têxtil do Brasil.
Em seu discurso Piccoli ainda ressaltou que a posição da cotonicultura brasileira no mundo é resultado de um trabalho de campo aliado a tecnologia e sustentabilidade, “Vocês fazem parte de uma cadeia em que o Brasil hoje é referência. Somos o terceiro maior produtor de algodão e o maior exportador de algodão certificado do mundo. Essa posição é resultado de muito trabalho no campo, investimento em tecnologia e compromisso com a sustentabilidade”, afirmou o presidente.
Qualidade da fibra
O cronograma técnico na sede da Abrapa detalhou os programas nacionais dedicadas ao algodão, responsáveis por colaborar com a ascensão do Brasil ao topo da cotonicultura mundial.
A primeira palestra foi ministrada pelo gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, que apresentou em detalhes o histórico dos métodos de medição e o rigor dos laboratórios nacionais. Segundo Lima, "A palestra teve como foco mostrar o funcionamento do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) e como o programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) são determinantes para a confiança do comprador. É esse cuidado técnico que assegura a qualidade da nossa fibra em qualquer lugar do mundo", explicou.
Sustentabilidade, transparência e promoção
A conformidade socioambiental e a conexão com o consumidor final também foram temas centrais abordados pela Abrapa durante o curso. O gerente de sustentabilidade da entidade, Fábio Carneiro, detalhou as diretrizes de responsabilidade socioambiental que regem a produção nacional. Carneiro explicou que o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) não é apenas uma certificação, é a prova de que nossa produção respeita critérios sociais e ambientais rigorosos. “O programa ABR dá ao algodão brasileiro as garantias necessárias para que o produtor brasileiro seja reconhecido pelas boas práticas ambientais em todo mundo", pontuou Fábio Carneiro.
Já a Diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, dedicou a sua palestra a explicar o funcionamento dos programas de rastreabilidade do algodão, como o Sistema Abrapa de Identificação (SAI) e o SouABR que conecta a produção algodoeira ao varejo, gerando a rastreabilidade de toda a cadeia de custódia da pluma. Além disso, Ferraresi também falou sobre o movimento Sou de Algodão, o maior programa nacional de promoção do algodão brasileiro. Durante a sua participação, a diretora destacou a importância de conectar o consumidor final à origem do produto que ele acessa no varejo:
"Trabalhamos para que todos os programas de rastreabilidade levem ao consumidor final a transparência de produção e confecção de toda cadeia de custódia da fibra. Neste cenário, o programa SouABR reforça o vínculo da mercado com a origem, mostrando que a qualidade da pluma que exportamos é a mesma que veste os brasileiros", afirmou Ferraresi.
Do Campo ao Mercado Externo
A agenda em Brasília incluiu ainda uma visita prática à Fazenda Samambaia, propriedade do cotonicultor Carlos Moresco. Na unidade, o grupo observou o ciclo da lavoura e o funcionamento de uma Unidade de Beneficiamento de Algodão (UBA). Para Moresco, o contato com a origem é essencial para o profissional:
"É uma oportunidade de eles conhecerem o início de tudo, onde começa a produção, os cuidados que a gente tem com a sustentabilidade, com a qualidade, para que esse produto chegue na fiação com a melhor qualidade possível", ressaltou Moresco.
O encerramento do primeiro ciclo da Brazilian Cotton School ficou a cargo do time do Cotton Brazil. O grupo formado pelo diretor financeiro da Abrapa, Francisco Jr., pelos gerentes Fernando Rati, Renata Caixeta e Bruna Zanatta, sob liderança do diretor de relações internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, apresentou o modelo “Os Destinos do Algodão Brasileiro e o Papel do Cotton Brazil”. A apresentação foi dividida em duas partes, a primeira foi dedicada ao algodão brasileiro no mercado internacional e o histórico das exportações. A segunda mostrou as estratégias adotadas pelo programa de promoção que foram essenciais para levar o país ao topo das exportações mundiais, apresentando as estratégias utilizadas na abertura de mercados e fidelização dos importadores, com ênfase no trabalho desenvolvido junto aos países asiáticos. O time também falou sobre a parceria do Cotton Brazil com a ANEA e sobre o apoio da ApexBrasil.
Para Duarte a apresentação aprofundada do Cotton Brazil aos alunos da Cotton School é essencial para o algodão brasileiro continuar avançando. De acordo com o diretor, "O objetivo é que eles (alunos) possam conhecer os desafios e as oportunidades da atual posição do algodão brasileiro no contexto internacional e levarem esse conhecimento para o dia a dia de suas empresas”, enfatizou.
Após concluir o módulo inaugural em Brasília, o grupo de alunos seguiu para São Paulo. Durante as duas semanas a Brazilian Cotton School dará continuidade à segunda etapa do curso, mergulhando nas dinâmicas industriais e comerciais que completam a jornada da fibra.
