No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) destaca a contribuição dessas profissionais que, por meio da ciência, ajudam a impulsionar a competitividade do Brasil em uma das commodities agrícolas mais estratégicas do país. A presença feminina na pesquisa agro tem crescido de forma consistente nos últimos anos, ampliando a diversidade de perspectivas e fortalecendo a capacidade de inovação do setor.
Entre essas cientistas está Poliana Regina Carloni, doutora em Genética e Melhoramento de Plantas e pesquisadora da empresa Lyntera. Atuando diretamente no desenvolvimento de novas cultivares, ela destaca que a pesquisa científica é um dos principais motores para o avanço da cotonicultura. “A pesquisa científica é fundamental para a geração de cultivares com maior produtividade e resistência a estresses bióticos e abióticos. Isso permitirá avanços contínuos da cotonicultura brasileira na produção mundial, reduzindo a necessidade do uso de defensivos e viabilizando a cultura em diferentes áreas”, explica a pesquisadora. Segundo Poliana, além de ganhos em produtividade e sustentabilidade, a ciência também abre caminhos para novas oportunidades de mercado. “Outro fator importante é a agregação de valor com a produção de fibras especiais, o que pode aumentar a competitividade da cultura nesse nicho do mercado mundial”, afirma. Ela ressalta ainda que o avanço da pesquisa depende de um ecossistema colaborativo entre instituições públicas, empresas privadas e produtores rurais. “Vale destacar também a importância das parcerias entre o setor público e o privado, pois elas permitem que o conhecimento gerado chegue até os produtores. E, por fim, devemos estar sempre atentos às novas demandas e aos novos desafios que vão surgindo”, acrescenta.
Outra pesquisadora que integra esse grupo de profissionais dedicadas ao desenvolvimento da cotonicultura é Natália Ribas, pesquisadora em Entomologia e Plantas Daninhas do Instituto Goiano de Agricultura (IGA). Atuando diretamente em áreas ligadas ao manejo de pragas e à sustentabilidade das lavouras, ela reforça que a ciência é essencial para enfrentar os desafios cada vez mais complexos da produção agrícola. “A pesquisa científica é um dos pilares fundamentais para a evolução da cotonicultura brasileira. É por meio dela que conseguimos desenvolver tecnologias, estratégias de manejo e soluções inovadoras capazes de aumentar a produtividade, reduzir custos e, ao mesmo tempo, promover sistemas de produção mais sustentáveis”, afirma. Segundo Natália, diante de um cenário marcado pela alta pressão de pragas, resistência a tecnologias e necessidade crescente de eficiência no uso de insumos, a pesquisa tem papel decisivo na construção de estratégias mais inteligentes de manejo. “A pesquisa permite entender melhor a dinâmica das lavouras e propor manejos cada vez mais integrados, como o uso de biotecnologia, produtos biológicos e estratégias de manejo integrado de pragas”, explica. Ela também destaca que o conhecimento gerado no país fortalece a posição do Brasil no mercado internacional. “A pesquisa fortalece a competitividade do Brasil no mercado global, pois gera conhecimento adaptado às condições tropicais e às realidades do nosso produtor, contribuindo para uma produção de algodão cada vez mais eficiente, responsável e alinhada às demandas ambientais e de mercado”.
Mais mulheres na ciência do agro
A presença feminina na ciência aplicada ao agronegócio também tem se ampliado de forma significativa, especialmente nos programas de pós-graduação e nas equipes de pesquisa. Para Poliana Carloni, esse movimento representa um avanço importante não apenas em termos de equidade, mas também para a qualidade das decisões estratégicas no setor. “Eu vejo o crescimento da presença feminina na pesquisa agro com muita alegria, porque está cada vez mais comum vermos mulheres exercendo, com muita competência, cargos de liderança tanto no setor público quanto no privado”, afirma. Ela também destaca o impacto positivo dessa diversidade para o desenvolvimento da ciência. “Esses avanços trazem um impacto muito positivo para todo o setor, pois aumenta a diversidade de perspectivas. Muitas vezes, as mulheres têm uma visão estratégica diferenciada, com um olhar mais atento, sensível, humano e integrador.”
Natália Ribas também avalia que o aumento da presença feminina na pesquisa tem contribuído para ampliar o potencial de inovação no setor. “O crescimento da presença feminina na pesquisa agro é extremamente positivo e representa um avanço importante. A ciência se fortalece quando há diversidade de perspectivas, experiências e formas de pensar, e a participação das mulheres tem contribuído muito para ampliar a qualidade das discussões e das soluções desenvolvidas para o campo.”
Segundo a pesquisadora, cada vez mais mulheres têm assumido posições de liderança na produção de conhecimento científico. “Hoje vemos mulheres liderando projetos, coordenando pesquisas e ocupando posições estratégicas dentro de instituições, empresas e universidades. Isso não apenas amplia a representatividade no setor, mas também inspira novas gerações de pesquisadoras e profissionais do agro.” Para ela, esse movimento tem impacto direto na capacidade do setor de enfrentar desafios complexos da agricultura contemporânea. “Esse crescimento promove ambientes mais colaborativos, inovadores e diversos, fatores essenciais para enfrentar os desafios da agricultura moderna.”
O fortalecimento da pesquisa científica é um dos pilares do Congresso Brasileiro do Algodão, considerado o principal fórum técnico da cadeia produtiva no país. O evento reúne pesquisadores, produtores, empresas e especialistas para discutir os principais desafios e oportunidades do setor, além de apresentar os avanços mais recentes da ciência aplicada à cultura. Ao ampliar a presença feminina na ciência e na liderança técnica do setor, a cotonicultura brasileira não apenas fortalece sua base de conhecimento, mas também constrói um caminho mais diverso, colaborativo e preparado para os desafios do futuro.
Sobre o CBA
O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
