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Algodão brasileiro mira acordo comercial para avançar na Índia 

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo19/02/26 às 17:57 | Atualizado 19/02/26 às 19:03

20 de Fevereiro de 2026












Representantes do setor de algodão viajaram para a Ásia e participam das negociações para ampliar o comércio da pluma para a Índia, um dos principais polos da indústria têxtil global. A delegação liderada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) acompanha a agenda presidencial no continente e aposta na ampliação do Acordo de Comércio Preferencial para ganhar competitividade no mercado indiano.



O setor algodoeiro busca a redução das tarifas de exportação do produto nacional e a criação de cotas com tarifa zero, medidas que podem ampliar a competitividade da pluma nacional no mercado indiano.


A comitiva, composta por Cotton Brazil, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e a ApexBrasil, terá reuniões com representantes do Ministério dos Têxteis da Índia para apresentar um estudo com perspectivas de produção e comércio entre os países.


Fernando Rati, gestor do Cotton Brazil, reforçou o trabalho da organização na análise de mercados e indústria têxtil global. “A expectativa do setor é que o algodão seja inserido entre os produtos para ampliação da preferência tarifária e que isso amplie a competitividade frente às outras origens”, destacou à CNN Brasil.


O Ministério dos Têxteis é a principal entidade indiana para negociações e políticas públicas do país no segmento, o que inclui o algodão de diversos agentes. Hoje, Estados Unidos e Austrália são os principais clientes da indústria indiana.


O gestor destaca que as negociações estão em patamar inicial, mas destaca os diferenciais competitivos do Brasil para avançar no acordo comercial. “O estudo que encaminhamos às autoridades demonstra a competitividade do agronegócio brasileiro, com um preço inferior de mercado e qualidade de fibra muito demandada pelos indianos”, afirmou Rati ao CNN Agro.


Os representantes do setor acompanham o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, nas negociações para a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) entre o Mercosul e a Índia.


Segundo Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, a ampliação da participação brasileira na Índia reflete a construção de confiança com a indústria local. "Há espaço para aprofundar ainda mais essa parceria nos próximos anos”, afirmou.


Abertura comercial com a Índia


Além de se destacar como segundo maior produtor de algodão do mundo, a Índia também abriga o segundo maior parque industrial têxtil . Esta é a terceira vez que a delegação do Cotton Brazil realiza uma agenda estruturada no país.


O setor tem intensificado missões comerciais e técnicas à Índia, em um movimento alinhado à reorganização das cadeias globais e à estratégia brasileira de expansão no mercado asiático. Os resultados já se refletem nos números do comércio exterior.


Após a realização do primeiro Cotton Brazil Outlook, série de encontros para a promoção do algodão brasileiro realizado em 2024 nos polos industriais indianos, as exportações brasileiras de algodão para o país saltaram de 8 mil para 160 mil toneladas, elevando a participação do Brasil entre as origens exportadoras de 4% para 24%.


No mesmo período, Estados Unidos, Austrália e países africanos perderam espaço no mercado indiano. Durante o ano comercial 2025/26, o Brasil já embarcou 185 mil toneladas para a Índia.


Para o vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella, a parceria entre Brasil e Índia vai além de fatores comerciais. “A cotonicultura brasileira alia produtividade a rigor socioambiental, hoje indispensável para a competitividade da indústria asiática. Ao entregar uma fibra rastreável e sustentável, o Brasil oferece mais do que uma commodity”, concluiu.


Algodão e mercado Têxtil 


A Abrapa projeta exportações de 3,2 milhões de toneladas de algodão na safra 2025/26, alta de 13% sobre o ciclo anterior. A China, responsável por 32% das compras brasileiras na última safra, deve seguir como principal destino.


Com embarques de 2,8 milhões de toneladas no ciclo passado, o Brasil consolidou-se como maior exportador mundial da pluma. Para a temporada atual, porém, a área plantada deve recuar 5,5%, para 2,05 milhões de hectares.


Mais da metade do algodão produzido no Brasil abastece o mercado internacional, com o país liderando as exportações globais. Atualmente, o mercado nacional consome cerca de 700 mil toneladas de algodão, mas quer alcançar o primeiro milhão de toneladas anuais até 2030, segundo entidades do setor.


As importações da indústria têxtil atingiram US$ 6,6 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 5,7 bilhões para a cadeia de vestuário. Atualmente, a indústria nacional consome cerca de 700 mil toneladas da pluma brasileira, mas a meta é, ao menos, chegar a 1 milhão de toneladas, segundo a Abrapa.


A indústria têxtil transforma fibras em fios e tecidos, enquanto a confecção utiliza esses insumos para produzir roupas e outros bens. Apesar de integradas, as duas atividades enfrentam volatilidade ligada ao preço do algodão, principal matéria-prima do setor.



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