Destaque da semana 1 - Nesta semana, durante o USDA Agricultural Outlook Forum 2026, o órgão americano apresentou suas primeiras projeções para a safra 2026/27, indicando área a ser plantada com algodão este ano nos EUA de 9,4 milhões de acres – valor superior aos 8,99 milhões de acres estimados no início de fevereiro pela pesquisa de intenção de plantio do National Cotton Council (NCC). Segundo o órgão, o consumo global deve voltar a superar a produção esta safra.
Destaque da Semana 2 – Começou a missão Cotton Brazil para a Índia. Com o objetivo de promover e valorizar o algodão brasileiro no país do sul da Ásia, uma delegação de produtores, executivos e exportadores realizará uma série de eventos, reuniões e visitas técnicas no país durante os próximos 7 dias. A missão começou em Nova Deli com a participação da Abrapa na visita do presidente Lula ao país, que contou com a inauguração do primeiro escritório da Apex Brasil na localidade.
Destaque da Semana 3 – A delegação do Cotton Brazil também teve reunião com lideranças do Ministério Têxtil da Índia, Invest Índia e representantes do corpo diplomático brasileiro, para apresentação do estudo de sinergia e complementariedade entre Brasil e Índia no setor do algodão.
Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 19/fev cotado a 65,73 U$c/lp (-0,4% vs. 12/fev). O contrato Dez/26 fechou em 68,27 U$c/lp (-0,3% vs. 12/fev).
Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 849 pts para embarque Mar/Abr-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 19/fev/26.
Oferta – A Cotlook estima a produção global de algodão em 26,16 milhões de toneladas em 2025/26, ante 26,37 milhões em 2024/25, representando recuo de aproximadamente 0,8% ano a ano.
Demanda – A Cotlook projeta o consumo global de algodão em 25,10 milhões de toneladas em 2025/26, ante 25,51 milhões em 2024/25, indicando retração de cerca de 1,6% ano a ano.
Altistas 1 – No Agricultural Outlook Forum, o USDA apresentou a projeção que em 26/27, o consumo mundial de algodão volte a superar a produção (≈ 26,1 vs 25,3 milhões de toneladas), reduzindo os estoques finais globais para cerca de 15,5 milhões de tons e a relação estoque/uso para 59%. Esse leve aperto no balanço, depois de anos de oferta confortável, dá um viés moderadamente altista para o mercado no médio prazo.
Altistas 2 – Para a China, o USDA projeta queda de produção de cerca de 7,6 para 7,0 milhões de toneladas em 26/27, ao mesmo tempo em que o consumo sobe levemente para 8,6 milhões de tons e as importações aumentam 25%, para cerca de 1,5 milhão de tons. A combinação de menos algodão doméstico e mais importação reforça o papel da China como importador-chave na próxima safra (26/27).
Altistas 3 – Mesmo com área um pouco maior em 26/27 (9,4 milhões de acres, +1,3%), o USDA projeta produção americana ligeiramente menor, em torno de 2,96 milhões de toneladas (13,6 milhões de fardos), por causa de taxa de abandono mais alta e área colhida menor. Com exportações em 2,66 milhões de tons (12,2 milhões de fardos) e uso interno estável, os estoques finais dos EUA caem para 4,2 milhões de fardos (≈ 0,9 milhão de tons).
Altistas 4 - A pesquisa de intenção de plantio do National Cotton Council aponta para uma queda maior de área nos EUA (8,99 milhões de acres, queda de 3,2% frente à safra atual), com projeção de produção em 12,7 milhões de fardos (≈ 2,8 milhões de tons), o menor volume desde 2015/16.
Altistas 5 – O USDA confirma o Brasil como maior exportador mundial pelo terceiro ano seguido, com embarques de 14,5 milhões de fardos em 2025/26 (≈ 3,2 milhões de tons), algo como 33% do comércio global. Mesmo com a produção brasileira recuando para cerca de 3,8 milhões de tons em 2026/27 (17,5 milhões de fardos), o país segue como principal fornecedor, seguido por EUA e Austrália.
Baixistas 1 – O USDA destaca que, apesar do crescimento econômico global, o consumo de algodão está estagnado há quase 20 anos: desde 2007/08 não passa de ~120 milhões de fardos, enquanto o consumo total de fibras têxteis subiu de 337 para 520 milhões de fardos-equivalentes, puxado por fibras sintéticas. A participação do algodão caiu de mais de 35% para cerca de 22% da fibra têxtil mundial.
Baixistas 2 – O estudo mostra que, desde a crise de 2008, os preços relativos do algodão frente ao poliéster dobraram: a relação algodão/poliéster, que girava em torno de 1,0 antes de 2007, passou a média de 1,70 depois disso, com picos acima de 2,0. Essa vantagem de custo das fibras sintéticas faz com que, na ausência de forte preferência do consumidor, a indústria têxtil opte por poliéster e outras fibras artificiais.
Baixistas 3 – Mesmo com a queda prevista em 2026/27, os estoques globais permanecem historicamente altos, na casa de 71 milhões de fardos (≈ 15,5 milhões de tons), o terceiro menor nível em 10 anos, mas ainda bem acima das mínimas registradas em ciclos de alta mais fortes. Esse colchão de oferta tende a conter movimentos mais agressivos de alta no curto prazo.
Baixistas 4 - O contrato May/26 em NY continua preso em uma faixa estreita de 63–65 U$c/lb, com pequena perda semanal, mesmo após notícias de menor área nos EUA e ajustes de safra no Brasil. A incapacidade do mercado de reagir de forma consistente a fatores altistas reforça a leitura de manutenção de preços deprimidos.
Baixistas 5 - Relatório semanal de mercado nos EUA mostra que as vendas externas continuam abaixo da média sazonal e que os embarques ainda não atingem o ritmo necessário para cumprir a meta de exportações do USDA para 2025/26.
Agenda - Até 28 de fevereiro, uma delegação brasileira formada por representantes do Cotton Brazil, da Abrapa, da Anea e da ApexBrasil cumpre agenda na Índia.
Agenda 2 - A Cotton Brazil terá reuniao com SWAK (Associação das Indústrias Têxteis da Coreia do Sul) e participação na agenda presidencial e ministerial em Seul em 23/Fev.
China 1 - Esta semana a China comemora a chegada do Ano Novo Chinês, com pouca atividade empresarial em todo o país. O sentimento para a volta do feriado é positivo, já que os últimos dados de PMI do setor têxtil de algodão indicam alta de 3,18 pontos em janeiro, indicando expansão da atividade, com aumento de novos pedidos e das taxas de utilização das fiações.
China 2 - No mercado doméstico, o CC Index foi cotado ao equivalente de 104,23 U$c/lb, enquanto o contrato Maio/26 na bolsa de Zhengzhou girou em torno de 95,40 U$c/lb, com preços de poliéster e viscose relativamente estáveis. Essa relação de preços reforça que o algodão continua significativamente mais caro que as fibras sintéticas, o que favorece a substituição parcial por poliéster em alguns segmentos de fio e tecido.
Paquistão - As fiações seguem ativas na compra de pluma doméstica e importada. O fato de as fiações aceitarem basis firmes em um cenário de margens ainda apertadas indica necessidade real de reposição e reforça a atratividade de algodão de melhor qualidade, inclusive do Brasil.
Bangladesh - O mercado de fio se mantém firme: preços internos de fio em alta e melhores margens das fiações. Além disso, o recente anúncio do acordo comercial com os EUA, que deve abrir espaço para acesso preferencial a têxteis com algodão americano, tende a sustentar a demanda por algodão.
Índia - Os preços domésticos de Shankar-6 subiram para cerca de ₹54.500 por candy (≈ 76,65 U$c/lb). Com pluma retida em estoques públicos pela estatal CCI e preços domésticos elevados, o algodão indiano segue pouco competitivo, o que abre espaço adicional para importação de Brasil, EUA e Austrália, mesmo com a volta do imposto de importação de 11%.
Indonésia - Um pacote de 11 acordos comerciais com os EUA incluiu o compromisso de compra de algodão americano ao longo dos próximos anos. Esse movimento fortalece o vínculo das fiações locais com o algodão americano e tende a ameaçar a liderança brasileira nas importações do país.
Workshop - Entre 9 e 13 de fevereiro, a Abrapa realizou no CBRA o Workshop de Manutenção Uster HVI ClassingQ Pro, em parceria com a Uster. O treinamento reuniu inspetores dos 13 laboratórios do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), com foco na manutenção e operação dos equipamentos HVI, reforçando a precisão e a confiabilidade das análises da fibra.
Exportações - As exportações brasileiras de algodão* somaram 149,2 mil toneladas nas duas primeiras semanas de fev/26*. A média diária de embarque foi 8,6% maior que no mesmo mês de 2025.
Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem, não houve alteração nos volumes beneficiados nos estados em que o processo ainda está em andamento. Restam apenas os estados da BA (99%) e MT (99%) para a conclusão do beneficiamento. Total Brasil: 99,09%.
Plantio 2025/26 – Até o dia de ontem (19/02) foram semeados nos estados da BA (98%), GO (100%), MA (100%), MG (94%), MS (100%), MT (99%), PI (92,43%), PR (100%) e SP (92%). Total Brasil: 98,61%
Preços - Consulte a tabela de cotações e diferenciais abaixo.
Quadro de cotações para 19 -02
Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 20/20/2026
ALGODÃO PELO MUNDO #07/2026
20 de Fevereiro de 2026
