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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 06/02/2026

ALGODÃO PELO MUNDO #05/2026

06 de Fevereiro de 2026

Destaque da semana 1 - O mercado internacional de algodão manteve um viés claramente baixista, com os contratos da ICE (NY) renovando mínimas históricas, refletindo oferta confortável e ausência de gatilhos claros de curto prazo. Além disso, indicadores mais fracos do mercado de trabalho nos EUA — como aumento nas demissões e redução das vagas — reforçaram dúvidas sobre a solidez da economia americana. Esse pano de fundo trouxe de volta um ambiente claro de aversão ao risco, contaminando praticamente todas as classes de ativos.


Destaque da semana 2 - Mesmo assim, observa-se atividade consistente de compras físicas em diversos mercados asiáticos, aproveitando os níveis mais baixos de preço. Na Ásia, fiações seguem ativas em volumes pontuais, enquanto a proximidade do Ano Novo Lunar começa a reduzir o ritmo de negócios na China e em países vizinhos.


Destaque da semana 3 - O Brasil participou da Première Vision Paris 2026 com um estande setorial com o conceito “Brasil: from farm to fashion”.  A presença foi uma parceria ABIT, Abrapa, ANEA e Apex Brasil, através dos projetos de promoção Texbrasil e Cotton Brazil.  É a primeira parceria da cadeia do campo à indústria em um evento internacional.


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Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 05/fev cotado a 65,26 U$c/lp (-2,7% vs. 29/jan). O contrato Dez/26 fechou em 68,00 U$c/lp (-1,4% vs. 29/jan).


Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 751 pts para embarque Mar/Abr-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 05/fev/26.


Baixistas 1 – O mercado segue em tendência técnica claramente negativa, com médias móveis pressionando os preços e sucessivas renovações de mínimas, sem sinais técnicos consistentes de reversão no curto prazo.


Baixistas 2 – A manutenção de uma forte posição vendida dos fundos indica que os especuladores continuam apostando em novas quedas, ampliando a pressão baixista.


Baixistas 3 – O avanço constante do open interest (contratos em aberto) com queda de preços reforça a leitura de entrada de novos shorts (especuladores apostando na baixa), sinal clássico de mercado dominado pelo lado vendedor.


Baixistas 4 – A proximidade do Ano Novo Chinês (17/fev) já reduz significativamente a atividade de compra na China, enfraquecendo a demanda no curto prazo.


Baixistas 5 – Há necessidade crescente de venda física por parte de produtores, devido à demanda por caixa e entrada da nova safra, o que aumenta a oferta disponível no mercado


Altistas 1 - A queda das cotações em NY estimulou compras oportunistas de fiações na Ásia, principalmente para embarques próximos, evitando uma retração mais forte do mercado físico. Esse movimento foi observado em países como Vietnã, Bangladesh e Paquistão.


Altistas 2 - As exportações semanais dos EUA continuam mostrando melhora no ritmo de embarques, com volumes enviados acima do mesmo período do ano passado.


Altistas 3 - O diferencial entre preços domésticos e internacionais na China segue favorável às importações, mantendo as fiações chinesas ativas no mercado externo. Isso reforça expectativas de possível cota adicional de importação ao longo de 2026.


Altistas 4 – O basis brasileiro segue firme, agora baseado em Mai/26, indicando boa demanda pela pluma do Brasil mesmo em um ambiente de preços futuros deprimidos.  Compradores relatam satisfação com qualidade da fibra nacional, principalmente em relação ao comprimento da fibra.


Altistas 5 – Em termos históricos e ajustados pela inflação, o algodão está em níveis extremamente baratos, justamente no momento de decisão de plantio no Hemisfério Norte, o que tende a desestimular plantio por lá.


China 1 – Os contratos futuros de algodão em Zhengzhou inverteram a direção ao longo da semana e fecharam em baixa generalizada, acompanhados por leve recuo no volume negociado, sinalizando postura mais cautelosa às vésperas do feriado do Ano Novo Lunar.


China 2 – O beneficiamento do algodão entrou em sua fase final em nível, com um número crescente de algodoeiras encerrando as operações na China.


China 3 – Segundo o Cncotton.com, foram mantidas as estimativas para a China em 2025/26, com produção de 7,41 milhões de toneladas, importações de 1,1 milhões, consumo de 8,16 milhões e exportações de 20 mil toneladas. Os estoques finais seguem projetados em 6,88 milhões de toneladas até 31 de agosto de 2026.


Índia 1 – O governo indiano esclareceu que a tarifa de importação de algodão (11%) será mantida, com exceção para fibra extra longa.


Índia 2 – Os EUA reduziram as tarifas “recíprocas” sobre importações de produtos indianos de 25% para 18% e também eliminaram uma tarifa adicional de 25% vinculada às compras indianas de petróleo russo. A medida tende a melhorar a competitividade das exportações indianas de têxteis e vestuário ao mercado americano.


Paquistão – O mercado de fios segue moderado, com compradores sensíveis a preços e compras pontuais, enquanto a demanda externa, especialmente da China, sustenta as vendas. A redução recente de custos financeiros e energéticos tende a aliviar parcialmente as margens do setor têxtil.


Bangladesh 1 – As fiações de Bangladesh continuaram ativas no mercado internacional de algodão, apesar da cautela diante das eleições gerais. 


Bangladesh 2 – A associação do setor (BTMA) suspendeu temporariamente planos de paralisação após negociações com o governo, enquanto uma greve no porto de Chattogram causou atrasos logísticos.


Vietnã – As fiações vietnamitas operam entre 75% e 80% da capacidade, ligeiramente acima das semanas anteriores, embora ainda abaixo dos níveis históricos. As compras continuam concentradas em lotes competitivos de algodão brasileiro, americano e australiano.


Première Vision Paris – O estande setorial do grupo brasileiro foi apresentado com o conceito “Brasil: from farm to fashion” e destacou a cadeia têxtil nacional de forma integrada, do cultivo do algodão à confecção de vestuário. A iniciativa buscou evidenciar atributos como sustentabilidade, rastreabilidade, qualidade e valor agregado do algodão brasileiro.


Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 316,8 mil toneladas em jan/26, queda de 23,7% com relação a jan/25.                               


Beneficiamento 2024/25 - Até ontem (05/02), o beneficiamento encontra-se praticamente concluído no país. Restam apenas os estados da BA (99%) e MT (99%) com o beneficiamento a ser finalizado. Total Brasil: 99,09% 


Plantio 2025/26 – Até o dia de ontem (05/02) foram semeados nos estados da BA (84%), GO (95,63%),MA (100%),MG (86%),MS (100%),MT (90%), PI (85,3%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 89,19%.


Preços - Consulte a tabela de cotações e diferenciais abaixo.


Quadro de cotações para 05 -02


Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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