Destaque da semana - A semana foi marcada por vencimentos próximos pressionados em NY, mas também pela combinação de maior volatilidade e número de posições em aberto recorde, em torno de 366,5 mil contratos. No mercado físico, porém, o clima é mais construtivo: negócios e tratativas com fiações com China, Vietnã e Paquistão são destaque graças a preços mais atrativos no destino, em especial para algodão americano e brasileiro.
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Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 29/jan cotado a 67,01 U$c/lp (+0,1% vs. 22/jan). O contrato Dez/26 fechou em 68,98 U$c/lp (estável vs. 22/jan).
Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 802 pts para embarque Jan/Fev-26 (Middling 1-1/8"; 31-3-36), fonte Cotlook 29/jan/26.
Altistas 1 - A China mantém preços internos firmes: o China Cotton Index subiu para cerca de 16.100 yuan/ton, ampliando o prêmio sobre o Índice A ajustado para algo próximo de 20 centavos/lb, o maior desde 2021.
Altistas 2 - As importações chinesas foram muito fortes em dez/25, com cerca de 177 mil tons no mês, das quais mais de 100 mil tons vieram do Brasil, e o acumulado da temporada já próximo de 550 mil tons. Se o ritmo de jan-mar se mantiver, a China tende a atingir a projeção de 5,4 milhões de fardos (cerca de 1,17 milhão de tons) estimada pelo USDA na safra 2025/26.
Altistas 3 - As exportações de algodão dos EUA seguem robustas: na semana encerrada em 22/jan, as vendas líquidas de upland somaram cerca de 204 mil fardos, e os embarques atingiram 257 mil fardos, novo recorde da safra. Vietnã, Turquia, Paquistão, México e Indonésia aparecem entre os principais destinos, sinalizando boa demanda física nos preços atuais.
Altistas 5 - A Cotlook reduziu discretamente a produção em importantes origens africanas (como Mali e Tanzânia) e no Brasil, enquanto elevou levemente China e Índia, deixando a oferta global mais “apertada” fora da Ásia. O resultado é um balanço em que estoques no resto do mundo caem, ao mesmo tempo em que o consumo se aproxima da produção em 2025/26.
Altistas 6 - A demanda por algodão brasileiro na Ásia continua ativa, com negócios reportados na faixa de 65-72 U$c/lb CFR para diferentes qualidades e destinos (Vietnã, Bangladesh, Indonésia). Em alguns casos, o algodão brasileiro vem sendo preferência frente a outras origens, mesmo com basis acima de 700 pts, o que indica confiança na qualidade e na regularidade de oferta do Brasil.
Altistas 7 - O projeto de lei Buying American Cotton Act (BACA) foi apresentado no Congresso dos EUA, com o objetivo de priorizar algodão americano em compras governamentais. Embora ainda incerto em prazo e formato final, o sinal político é de apoio à demanda estrutural pela fibra norte-americana no médio prazo.
Altistas 8 - No longo prazo, a combinação de menor área em algumas origens (Brasil, Austrália, partes da África) e perspectivas de demanda global de têxteis voltando a crescer com a normalização pós-ciclos de juros altos pode sustentar os preços. Se a próxima safra enfrentar qualquer problema climático relevante em grandes produtores, o mercado parte de um nível de preço relativamente baixo, com espaço para recuperação.
Baixistas 1 - O contrato Mar/26 em NY fez nova mínima de vida a 62,97 U$c/lb e, apesar da recuperação pontual, acumula queda na semana. Com fundos em posição líquida vendida acima de 50 mil contratos e open interest recorde em torno de 360 mil, o quadro técnico segue pesado e abre espaço para novas ondas de venda especulativa.
Baixistas 2 - A Cotlook vê produção 2025/26 em torno de 26 milhões de tons e consumo em 25,9 milhões de tons, com estoques mundiais subindo levemente. Na China, a CCA projeta produção de 7,28 milhões tons, consumo de 8,1 milhões tons e estoques finais em 10,11 milhões tons, ou seja, recomposição de estoques mesmo com importações firmes.
Baixistas 3 - Os estoques de algodão importado nos portos chineses já superam 500 mil tons, o que reduz o ímpeto de novas compras grandes enquanto não houver clareza sobre a demanda pós-Ano Novo Lunar (O ano novo na China será celebrado este ano em meados de Fevereiro).
Baixistas 4 - Em Bangladesh, os preços de fios permanecem elevados em meio à incerteza sobre benefícios fiscais para importação e ameaça de greve de fiações já na próxima semana. A proximidade das eleições gerais aumenta o risco de ruído político e eventual desaceleração da produção têxtil, o que pode diminuir temporariamente o consumo de algodão.
Baixistas 5 - No Paquistão, apesar de algum alívio recente nos preços de fio, as margens das fiações continuam pressionadas: compradores domésticos resistem a pagar mais, enquanto o custo de reposição de pluma sobe. A decisão do Banco Central de manter a taxa básica em 10,5% prolonga um ambiente de crédito caro e limita a capacidade de as fiações aumentarem estoques de algodão.
Baixistas 6 - Na Índia, a CAI elevou a estimativa de safra para cerca de 31,7 milhões de fardos de 170 kg (aprox. 5,4 milhões tons), enquanto as importações seguem fortes e a CCI continua colocando algodão no mercado. A combinação de oferta doméstica abundante e preços internos firmes (Shankar-6 perto de 77 U$c/lb) tende a limitar altas adicionais no mercado internacional.
Baixistas 7 - As exportações brasileiras de algodão nas três primeiras semanas de janeiro somaram cerca de 265 mil tons, bem abaixo do recorde de 415,6 mil tons do mesmo mês do ano passado. Esse ritmo mais lento pode gerar acúmulo de pluma no interior e pressionar ainda mais a logística e os diferenciais, caso a procura externa não acelere ao longo do primeiro semestre.
Agenda - Próximo WASDE do USDA em 10/fev/26 (terça-feira da semana seguinte), com nova atualização do balanço global de algodão. No dia 1º/02, segue em pauta a possível greve de fiações em Bangladesh relacionada a benefícios de importação, e as eleições gerais no país estão marcadas para 12/02, podendo afetar o ritmo da indústria têxtil. Na Índia, o Orçamento da União será apresentado em 01/02, com atenção a eventuais medidas para agricultura e têxteis, enquanto na China se aproxima o Ano Novo Lunar (feriado prolongado em meados de fevereiro), o que deve reduzir a atividade industrial por alguns dias, mas pode trazer retomada de pedidos no pós-feriado.
China 1 - A China Cotton Association (CCA) projeta produção de 7,28 milhões tons, importações de 1,1 milhões tons, consumo de 8,1 milhões tons e estoques finais de 10,11 milhões tons. Isso significa aumento de estoques internos e reforça o papel da China como grande absorvedora da oferta exportável global, mesmo com forte produção doméstica.
China 2 - As fiações chinesas relatam melhora nas operações, com maior transação de fios finos (contagem alta) e avanço dos índices de preços de fios (BCO e Xinjiang Yarn Index). No entanto, os lucros do setor têxtil em 2025 caíram 12% e os da indústria de vestuário mais de 27% vs 2024, o que mantém o setor cauteloso e reforça uma estratégia de compras de algodão sem formação de grandes estoques.
Índia 1 - Mesmo com o retorno da tarifa de importação de 11%, as fiações indianas seguem buscando algodão importado, já que os preços domésticos, sustentados pelo Minimum Support Price (preço mínimo local), continuam muito acima dos valores de importação. Além disso, muitas fiações aproveitam o Advance Authorisation Scheme, que permite importar algodão sem imposto para produção voltada à exportação, o que tende a sustentar e até ampliar a demanda indiana por algodão externo.
Paquistão 1 - A manutenção dos juros pelo Federal Reserve e pelo Banco Central do Paquistão reduz, por ora, o risco de um aperto adicional de condições financeiras globais. Taxas estáveis ajudam a limitar a pressão altista sobre o dólar e criam ambiente um pouco mais favorável para commodities agrícolas, inclusive algodão, no curto prazo.
Paquistão 2 - A demanda doméstica por fios é descrita como moderada, com alta recente nos preços de fio, mas também do custo de reposição de algodão, comprimindo margens. Em compensação, a demanda externa - especialmente da China - tem permitido às fiações escoar parte dos estoques, apesar de atrasos de pagamento no mercado interno seguirem como problema recorrente de fluxo de caixa.
Bangladesh 1 - Os preços de fios em Bangladesh permanecem elevados, com o índice doméstico de 30/32 cardado ao redor de 285 c/kg. O país vive incerteza sobre o futuro de políticas preferenciais para importação de algodão (como regimes de entreposto) e há ameaça de greve de fiações na próxima semana, o que o governo tenta evitar para não interromper a produção às vésperas das eleições.
Bangladesh 2 - Apesar das incertezas, há relatos de boa procura por algodão para embarques imediatos, com negócios de algodão brasileiro e de outras origens na casa de meados de 70 U$c/lb CFR. O país segue como um dos principais destinos para pluma de Brasil, África e Austrália, mas qualquer ajuste em tarifas ou incentivos logísticos pode afetar temporariamente o mix de origens compradas.
Vietnã - O humor no setor têxtil vietnamita melhorou nas últimas semanas: muitas fiações operam entre 75–85% da capacidade, embora ainda abaixo do padrão histórico. As encomendas se concentram em fios de algodão e mistos de maior valor agregado, enquanto fios de baixa contagem continuam com demanda fraca.
Coalizão Internacional 1 - Abrapa, ANEA e Cotton Brazil reuniram-se em 22/jan com associações de exportadores dos EUA e Austrália. O objetivo central foi a consolidação de uma frente global de defesa da fibra natural frente ao avanço das fibras sintéticas.
Coalizão Internacional 2 - O Brasil apoia a coalizão, especialmente no combate técnico-científico às fibras sintéticas. A ACSA–USA liderará propostas de governança, enquanto o Brasil compartilhará bases legislativas.
Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 264,9 mil tons no acumulado das quatro semanas de jan/26. A média diária de embarque é 12,4% menor em relação a jan/25.
Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (29/01) foram beneficiados nos estados da BA (99%), GO (100%), MA (96%), MG (100%), MS (100%), MT (99%), PI (100%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 99,03%.
Plantio 2025/26 - Até o dia de ontem (29/01) foram semeados nos estados da BA (75%), GO (90,04%), MA (95%), MG (80%), MS (100%), MT (67%), PI (85,3%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 70,51%.
Para preços, consulte a tabela abaixo:
Quadro de cotações para 29 -01
Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 30/01/2026
ALGODÃO PELO MUNDO #04/2026
30 de Janeiro de 2026
