Voltar

Sou de Algodão destaca a moda rastreável na SPFW 2025

Desfile “Trajetórias” reúne produtores, indústrias e estilistas em uma celebração coletiva da moda consciente na 60ª edição do evento, que completa 30 anos

17 de Outubro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), retorna à São Paulo Fashion Week (SPFW) para seu 4º desfile, reafirmando o compromisso com uma moda que nasce no campo e floresce na passarela. A apresentação acontece no dia 17 de outubro, sexta-feira, às 19h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.


Com o tema “Trajetórias”, a coleção é uma celebração do percurso da fibra nacional com certificação socioambiental pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) - um caminho que parte da terra, passa pelas mãos de agricultores e indústrias têxteis e chega à criação autoral de seis nomes expressivos da moda nacional. Os 36 looks all black a serem apresentados foram produzidos integralmente com algodão rastreável pelo programa SouABR.


Rastreabilidade como estética e essência


Nesta edição, o Sou de Algodão apresenta um retrato inédito da cadeia de valor da fibra no Brasil. A coleção a ser apresentada traz a trajetória da fibra que envolveu:




  • 6 estados - Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí;

  • 41 municípios;

  • 82 fazendas certificadas ABR;

  • 61 produtores e grupos responsáveis pelo cultivo;

  • 456 trabalhadores nas fazendas;

  • 079 fardos de pluma de algodão;

  • 5 fiações (936.164,28 kg de fio);

  • 4 tecelagens (843,7 metros de tecidos);

  • 1 malharia (29,47 kg de malha);

  • 6 confecções / estilistas (81 peças assinadas pelos 6 estilistas).


“Em Trajetórias, a rastreabilidade deixa de ser apenas um dado técnico e se transforma em linguagem estética. Cada peça carrega um código de origem e uma história verdadeira”, explica Silmara Ferraresi, gestora do movimento Sou de Algodão e diretora de Relações Institucionais da Abrapa.


O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, complementa: “Este desfile é o resultado da união de 61 produtores, seis indústrias e seis estilistas. Cada fio representa uma conexão real entre o campo e a criação - um símbolo de qualidade, rastreabilidade e compromisso coletivo com a moda responsável”.


Da terra ao tecido: um ciclo completo de colaboração


A coleção foi construída com algodão proveniente de propriedades certificadas pelo programa ABR, que garante padrões de sustentabilidade social, ambiental e econômica.


As fibras cultivadas nos seis estados brasileiros foram transformadas em fios, tecidos e malhas por seis indústrias têxteis parceiras do movimento:




  • Fio Puro (fiação) - 200 colaboradores. Reconhecida pelas certificações Better Cotton e pelo Prêmio Parceiro Estratégico Sustentável (Grupo Viveo);

  • Cataguases (fiação e tecelagem) - 1.400 colaboradores. Certificações: Better Cotton, OekoTex100, EcoCert, EcoVero, LivaEco, Lixo Zero, ZDHC e Empresa Amiga da Criança;

  • RenauxView (fiação e tecelagem) - 500 colaboradores;

  • Santana Textiles (fiação e tecelagem) - 1.700 colaboradores, com certificações pela Better Cotton, Gateway, Higg-Index e Selo Verde (Jornal Meio Ambiente);

  • Dalila Têxtil (malharia) - 700 colaboradores, com certificações OekoTex100 e Better Cotton;

  • Vicunha Têxtil (fiação e tecelagem) - 6.000 colaboradores e ampla lista de reconhecimentos: Better Cotton, ISO14001, OekoTex100, RegenagriCS e Global Recycled Standard (GRS).


Cada uma dessas empresas representa uma etapa essencial do percurso do algodão - da fiação à tecelagem, da malharia à confecção - compondo um retrato de colaboração e comprometimento com a rastreabilidade.


Conceito criativo: o preto como ponto de encontro


O conceito “Trajetórias”, criado por Paulo Borges, idealizador da SPFW e diretor criativo, ganha tradução estética pelo stylist Paulo Martinez, que retorna com uma leitura poética e simbólica do algodão.


“O preto é a soma de todas as cores, o ponto de convergência de todos os caminhos”, explica Martinez. “Optamos por uma coleção all black como gesto de celebração, um black tie para comemorar os 30 anos da semana de moda paulistana. É sobre união, sobre o encontro de todos que fazem a moda existir, do campo à passarela”.


A beleza, assinada por Jana Moraes, valoriza texturas sutis, brilho natural e variações de luz e sombra, destacando a fibra e sua versatilidade em diferentes volumes, pesos e superfícies.



Os criadores e suas interpretações


Alexandre Herchcovitch
Com 29 colaboradores, o estilista traz uma alfaiataria de algodão que rompe com o imaginário casual e assume elegância e precisão. O tricoline, o denim cru e a sarja são apresentados em sua forma essencial, sem lavagens ou artifícios.


“Meu desejo é que rastreabilidade e responsabilidade sejam o básico da moda. Que saber de onde vem o tecido seja tão natural quanto vesti-lo”, afirma Herchcovitch.


ALUF
Com 30 colaboradores, a marca dirigida por Ana Luísa Fernandes leva o algodão ao território da festa e da escultura. Vestidos volumosos, alças arquitetônicas e acabamentos delicados revelam o potencial sofisticado da fibra.


“A rastreabilidade é parte da beleza. Saber a origem do tecido é o que dá sentido ao que fazemos”, diz Ana Luisa.


Amapô
A dupla Carô Gold e Pitty Taliani, com uma equipe de quatro pessoas, revisita o próprio arquivo de 20 anos para recriar peças icônicas em novas proporções e texturas.


“Foi um exercício de desapego e de reconstrução. Cada peça renasce com a leveza de um novo começo”, conta Carô.


David Lee
Com sete colaboradores, o estilista cearense transforma o tema “Trajetórias” em metáfora visual: costuras e texturas que lembram estradas e mapas. A coleção mescla rusticidade e refinamento em looks que homenageiam o trabalhador rural e o consumidor urbano.


“O algodão é o elo entre dois mundos. Minha coleção mostra o caminho que a fibra percorre, e as pessoas por trás dele”, reitera David.


Fernanda Yamamoto
Com 15 colaboradores, Fernanda leva o algodão a construções arquitetônicas de alta precisão. Suas peças combinam listras, origamis e alfaiataria contemporânea, provando a versatilidade da fibra.


“O algodão é estrutura e suavidade, resistência e poesia. Ele é o corpo da moda brasileira”, define a estilista.


Weider Silveiro
Com sete colaboradores, Weider revisita a alfaiataria sob uma ótica fluida e sem gênero. Suas criações exploram contrastes entre o masculino e o feminino em tecidos de diferentes pesos.


“Desconstruir o algodão é um ato de afeto. Ele é humano, respirável e real”, resume o estilista.



O algodão como símbolo de união e propósito


Em “Trajetórias”, produtores, indústrias e criadores dividem o mesmo palco. Cada peça carrega a identidade de 82 fazendas e 61 grupos produtores, espalhados por 41 municípios de seis estados - um retrato vivo de uma cadeia que emprega mais de 5.400 pessoas, com presença crescente de mulheres e inclusão de trabalhadores com deficiência.


“Ver o Sou de Algodão na passarela da SPFW é testemunhar a força da moda brasileira quando ela se conecta à sua origem e projeta o futuro com consciência”, conclui Paulo Borges. “É o ciclo completo, da fibra à criação, transformado em beleza, colaboração e transparência”.



Sobre Sou de Algodão
Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão.

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter