Na última quinta-feira, 04/09, foi realizado o Lançamento Oficial do 20º Encontro Nacional e do 3º Encontro Mundial do Sistema Plantio Direto, na sede nacional da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja), em Brasília. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) é uma das entidades promotoras dos encontros realizados pela Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP), marcados para os dias 07, 08 e 09 de julho de 2026, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, também na capital federal.
Em 2026, o tema será “O sistema do plantio direto como base da agricultura regenerativa” e pretende reunir mais de 1.200 participantes entre produtores rurais, consultores, empresários e pesquisadores. Os Encontros acontecem a cada dois anos e são espaço já consolidado para a troca de experiências e atualização constante da cadeia produtiva. A última edição ocorreu em 2024, na cidade de Luís Eduardo Magalhães, na região agrícola do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
De acordo com o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, “A realização desses encontros incentiva o produtor a adotar o sistema plantio direto nas suas lavouras, por esclarecer os benefícios que o sistema agrega à produção. Além de gerar equilíbrio com o meio-ambiente, o sistema também diminui o uso de insumos e aumenta a produtividade a médio e longo prazo. Para os produtores de algodão, a adoção do plantio direto tem trazido resultados muito positivos, além do valor agregado que a agricultura regenerativa traz à matéria-prima brasileira”.
Para o presidente da FEBRAPDP, Jônadan Ma, “O foco do evento é mostrar que é possível produzir com mais qualidade e com menor carga de agroquímicos, menor carga de fertilizantes, aumentando a massa biologia do solo. Tudo isso melhorando principalmente a rentabilidade do produtor. Neste sentido, a presença da Abrapa vai ser essencial para mostrar que é possível também cultivar o algodão no sistema plantio direto”.
Plantio Direto no Brasil
O plantio direto consiste no revolvimento mínimo do solo, que deve ser coberto a palhada da cultura anterior, com deposição das sementes e fertilizantes em um sulco estreito. O manejo conservacionista integra as práticas da agricultura regenerativa, a sua utilização diminuir o impacto na terra e promover uma maior integração das lavouras com o meio-ambiente.
No Brasil, o plantio direto é utilizado há pelo menos 50 anos, e hoje soma mais de 36 milhões de hectares no país, demonstrando o alto engajamento dos produtores brasileiros com as práticas regenerativas. Mesmo assim, especialistas avaliam que ainda há oportunidade para a sua expansão, principalmente aliada ao uso de bioinsumos e à agricultura de precisão.
Relação do manejo com a cotonicultura
De acordo com os indicadores de sustentabilidade do International Cotton Advisory Committee (ICAC), o Brasil é líder mundial em plantio direto no algodão. Apesar do plantio direto ser um manejo mais desafiador para a cultura do algodoeiro, 75% da área plantada da pluma no país é cultivada em plantio direto.
Segundo o Chefe da Divisão de Agricultura Conservacionista do Ministério da Agricultura, Maurício Carvalho, “A cultura do algodão foi uma das que mais teve dificuldades em entrar no sistema plantio direto, porque os restos de algodão eram queimados numa tentativa de eliminar o bicudo-do-algodoeiro. O que dificultava a cobertura e empobrecia o solo”
Carvalho ainda reiterou que a agricultura é um processo evolutivo e que algodão faz parte do desenvolvimento tecnológico do plantio direto, “A agricultura evoluiu e hoje, para o bem do agricultor, do bem da natureza, da terra, a cultura adotou o plantio direto. De uma forma muito profissional, porque a agricultura praticada no Cerrado Brasileiro é de alta tecnologia e olha para o meio-ambiente, para as águas e para o sistema como um todo. Essa resiliência aproxima a agricultura da natureza. A cotonicultura teve esse papel no desenvolvimento tecnológico e ela hoje ensina e expande o plantio direto.”
Atualmente, o plantio direto é um dos requisitos avaliados pelo Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), nas unidades produtoras da pluma que são certificadas.
Para saber mais informações sobre o 20º Encontro Nacional do Sistema Plantio Direto e do 3º Encontro Mundial do Sistema Plantio direto, acesse:
www.plantiodireto.org.br
