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Setor do algodão brasileiro sobre tarifaço de Trump: 'Vai fortalecer blocos econômicos'

Diretor-Executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) diz que o setor, que concorre com os Estados Unidos, 'vai sobreviver', 'mas o impacto imediato é muito grande e o susto é maior ainda'.

17 de Julho de 2025



O setor do algodão acompanha com atenção o anúncio feito por Donald Trump sobre o aumento das tarifas para a importação de produtos brasileiros. Embora o mercado norte-americano não seja destino da pluma de algodão brasileira, a medida gera apreensão quanto aos possíveis desdobramentos econômicos e comerciais em toda a cadeia têxtil nacional. Brasil e Estados Unidos já brigaram por conta do produto: em 2002, os dois países iniciaram um enorme embate comercial, que ficou conhecida como “Guerra do Algodão”.






Em entrevista ao Jornal da CBN, com Mílton Jung Cássia Godoy, o Diretor-Executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero, fala sobre o assunto.




De acordo com a Abrapa, o mercado global do algodão é altamente sensível a fatores climáticos, econômicos e políticos. A associação de produtores entende que, nesse cenário, qualquer mudança no fluxo de comércio internacional tende a provocar repercussões amplas e complexas.





A indústria têxtil brasileira é o mercado mais importante para o algodão nacional, segundo a associação, e os Estados Unidos estão entre os maiores clientes dessa indústria, o que indica que os efeitos das novas tarifas poderão alterar dinâmicas da cadeia produtiva do algodão no Brasil.





A Abrapa pediu regras de mercado claras, estáveis e justas, e com a defesa dos interesses dos produtores brasileiros de algodão. Também recomendou que o governo brasileiro busque as vias da diplomacia para ampliar o diálogo institucional, revertendo as recentes medidas do governo dos Estados Unidos e mitigando impactos adversos ao setor produtivo brasileiro.





O Diretor-Executivo Marcio Portocarrero explica que o tarifaço não traz um efeito direto para o algodao brasileiro, já que o Brasil não exporta a fibra como matéria-prima natural para os Estados Unidos. Nesse aspecto, os dois países são concorrentes: hoje o Brasil é o maior exportador mundial e os Estados Unidos é o segundo. No entanto, isso não significa que não haverá consequências.





"O impacto pode vir pela indústria têxtil brasileira, que é o sétimo maior player industrial do mundo e o grande produtor de matéria-prima acabada (cama, mesa e banho, jeans, malhas) e os Estados Unidos representam 4% das exportações de produtos industrializados têxteis do Brasil para lá. Isso pode sofrer um impacto natural."



Marcio Portocarrero destaca a importância dos mercados asiáticos e as mudanças que podem ocorrer com redirecionamentos entre blocos e parceiros comerciais, já que o Brasil exporta o algodão para a Ásia.





"O mundo está se reposicionando, os blocos estão se encontrando para discutir soluções e acho que isso aí vai ser resolvido e fortalecer muito mais outros grandes blocos econômicos como a União Europeia em relação com o Brasil, como a Ásia se reorganizando e tirando muito da dependência que tem hoje com o mercado americano e a gente deve sobreviver, mas o impacto imediato é muito grande e o susto é maior ainda porque o que nós sabemos fazer é produzir matéria-prima."



Portocarrero afirma que os produtores estão com a safra sendo colhida e que o processo deve ser finalizado dentro de 40 dias. O algodão já está todo negociado, sendo embarcado imediatamente no porto.





"O maior destino do nosso algodão é a Ásia e o mercado brasileiro que consome 730 mil toneladas por ano da nossa produção, que é significativo esse volume. É aqui que está a nossa maior preocupação, se houver uma queda brusca de demanda por produtos têxteis, a gente pode ter problema aqui nas vendas para o mercado interno brasileiro. Até agora não recebemos nenhuma notícia de clientes nossos de rompimento de contrato, está tudo correndo normalmente."





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