Convidada pela WWF Brasil, uma das mais respeitadas entidades da sociedade civil organizada de defesa ambiental em todo o mundo, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participou, na tarde desta quarta-feira (02), do evento “Tecendo o Futuro – Por uma cadeia responsável do algodão no Brasil”. O encontro reuniu, em São Paulo, a cadeia produtiva da fibra, indústria, tradings, varejistas nacionais e internacionais, bancos e o Governo para debater estratégias financeiras, agronômicas e de mercado, para um futuro mais sustentável.
O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, apresentou a evolução da cotonicultura no país e reforçou a importância da conscientização do mercado acerca da sustentabilidade do algodão brasileiro. Dentre os presentes, representantes da Better Cotton (BC), ANEA, ABIT, Appa, Agopa, SLC Agrícola, Louis Dreyfus Company, Rabobank, Renner, Capricórnio Têxtil, Grupo Veste Bem, Calvin Klein e Ikea.
A Abrapa destacou os desafios que o setor algodoeiro enfrenta para manter sua competitividade e sustentabilidade. Entre as iniciativas em andamento, estão o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa, realizado em parceria com Abiove, e estudos sobre o consumo e a qualidade da água. “Atualmente, 92% da produção de algodão no Brasil é realizada em sistema de sequeiro”, lembrou. Outro ponto abordado foi o avanço no uso de produtos biológicos para controle de pragas e doenças. “Cerca de 25% dos defensivos utilizados na cotonicultura brasileira são biológicos, com perspectivas de crescimento conforme avançam as pesquisas na área”, afirmou Portocarrero.
O diretor também apresentou as 10 estratégias sustentáveis adotadas pela cotonicultura brasileira: Auditoria e Verificação; Bem-estar e segurança dos trabalhadores e produtores; Conservação da vegetação nativa nas propriedades; Uso Eficiente de Água; Energia Limpa; Proteção do Solo; MIP (Manejo Integrado de Pragas) e uso de biológicos; Uso Eficiente da Terra; Agricultura Digital e de Precisão e Rastreabilidade e Transparência. “A evolução do setor nas últimas décadas é uma prova de que é possível produzir mais e melhor, preservando recursos naturais e promovendo boas práticas ambientais e sociais”, afirmou, lembrando ainda a inclusão de pequenos produtores na cadeia produtiva do algodão, com a filiação recente da Associação dos Produtores de Algodão do Ceará à Abrapa. A entidade reforçou a importância de levar tecnologia e capacitação para pequenos produtores, permitindo que eles também façam parte da cadeia de valor do algodão brasileiro.
Avanços reconhecidos
O programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e a iniciativa SouABR foram reconhecidos pela WWF e painelistas como referências em certificação de boas práticas, transparência e rastreabilidade na cadeia produtiva, que podem embasar políticas públicas e de financiamento para um algodão livre de desmatamento ilegal e especulativo, e o enfrentamento das mudanças climáticas. “Como organização da sociedade civil, a gente, obviamente, vai continuar sempre crítico, puxando a régua, elevando o nível de exigências, porque a gente entende que esse é o nosso papel, como guardiões dessa agenda, mas também reconhecemos os avanços e queremos estar juntos, ajudando a catalisar os resultados para mostrar isso para outras cadeias. Provar que é possível, porque eu acho que é com bons exemplos que a gente se inspira. A gente vai continuar. Tem muita sinergia para tecer um tecido muito legal dentro desse setor. Então, eu agradeço a presença de vocês. O nosso time WWF está à disposição para a gente seguir em conversa para essa jornada”, finalizou a diretora de Relações Corporativas do WWF-Brasil, Daniela Teston.