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Cotonicultores brasileiros celebram abertura de mercado egípcio

Importação da pluma nacional está autorizada, após 17 anos de negociações. Em jogo, um mercado de 120 mil toneladas por ano

24 de Janeiro de 2023

Os produtores de algodão brasileiro receberam a notícia da abertura do mercado egípcio com otimismo. É que, após 17 anos de negociação, o Egito definiu as exigências fitossanitárias para liberar a importação da pluma brasileira. Caracterizada por demandar uma fibra de alta qualidade, a indústria têxtil egípcia importa atualmente cerca de 120 mil toneladas por ano.


O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), Alexandre Schenkel ressaltou que o algodão brasileiro tem qualidade para atender a mais este mercado. ""Nossa pluma hoje tem qualidade compatível com a de países como Estados Unidos e Austrália. A produção brasileira é responsável e transparente e está pronta para atender o Egito"", comentou.

As exigências sanitárias feitas pelo governo egípcio são usuais para o mercado brasileiro. ""É preciso atestar que há controle do bicudo do algodoeiro e comprovar como é feito o tratamento de resíduos durante a produção agrícola"", informou Cesar Simas Teles, adido agrícola do Mapa na Embaixada do Brasil no Cairo.

Mensurar o volume a ser negociado entre Brasil e Egito é ainda arriscado: não há referência histórica de comparação. ""Alguns agentes de mercado falam que o algodão brasileiro pode absorver de 20% a 25% do volume anual importado pelos egípcios (120 mil tons), mas sem base estatística"", observa Teles.

Schenkel está confiante. ""Atualmente, o Brasil tem condições de atender o volume que for necessário"", endossa. O otimismo explica-se pelos bons resultados de um programa de promoção e desenvolvimento de mercados realizado pela Abrapa, chamado Cotton Brazil.

""De 2020 para cá, mantemos uma agenda permanente de ações, eventos e comércio com China, Vietnã, Paquistão, Turquia, Bangladesh, Indonésia, Coreia do Sul, Tailândia e Índia e agora vamos incluir o Egito"", revelou o presidente da associação.

Realizado em convênio com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e em parceria com a Associação Nacional Exportadores de Algodão (Anea), o Cotton Brazil opera hoje a partir do escritório de representação em Singapura. Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa e responsável pelo programa, já está com o Egito no radar.

""Estamos em diálogo com o Mapa para que mais esse mercado possa ser inserido nas nossas ações. Já estamos planejando ir ao Egito para fazer a promoção do nosso produto, pois o Brasil tem condições para ser um importante fornecedor para a indústria têxtil egípcia, que terá um grande salto nos próximos anos"", afirma Duarte.

Novo mercado. A abertura do mercado egípcio para o algodão brasileiro vem sendo trabalhada desde 2006 pelo Mapa. ""Tem sido um processo longo de negociação, que envolveu não apenas o Mapa como também o Ministério de Relações Exteriores (MRE). Ainda temos questões em detalhamento, mas já podemos considerar esta notícia o início de um novo ciclo para os dois países"", analisou Roberto Perosa, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)

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