Sou de Algodão promove debates sobre rastreabilidade, mercado e futuro da moda na Brazilian Cotton School
31 de Março de 2026O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), realizou, na última quinta-feira (26), uma série de painéis na Brazilian Cotton School, em São Paulo, reunindo representantes de diferentes elos da cadeia têxtil para discutir rastreabilidade, sustentabilidade e o futuro da moda no Brasil. O encontro aconteceu no Senai Francisco Matarazzo, no Brás, e reforçou o papel do movimento como articulador entre produtores, indústria, varejo, criadores e formadores de opinião. Ao longo da programação, três painéis promoveram conversas complementares, conectando temas técnicos, estratégicos e criativos. Para Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Abrapa e gestora do movimento, a proposta do encontro foi justamente ampliar esse diálogo entre os diferentes agentes do setor. “Quando reunimos diferentes elos da cadeia em um mesmo espaço, conseguimos avançar em discussões que não acontecem de forma isolada. O Sou de Algodão nasce com esse propósito de integração, de construir pontes e de dar visibilidade a tudo o que está por trás da moda que chega ao consumidor”, enfatiza. “Com a oportunidade de recebermos vários parceiros do movimento Sou de Algodão na Brazilian Cotton School, pudemos discutir e evidenciar o uso do algodão brasileiro na nossa indústria da moda com os 36 integrantes da turma de 2026. Para mim, o ponto de destaque é que esse trabalho é contínuo e muito já foi feito, mas é essencial para todos nós que essa missão continue”, destaca Jonas Nobre, diretor executivo da instituição. Rastreabilidade e transparência ganham espaço na cadeia da moda O primeiro painel, dedicado ao programa SouABR, colocou em pauta a rastreabilidade da cadeia de custódia do algodão certificado, reunindo empresas que já atuam diretamente com o tema. A discussão partiu de um cenário em que o consumidor demonstra interesse crescente por sustentabilidade e transparência, mas ainda encontra dificuldade para acessar informações claras sobre a origem dos produtos. A partir de experiências práticas, as empresas compartilharam como a rastreabilidade tem evoluído dentro das operações, deixando de ser um projeto piloto para ganhar escala. Para Nívea Pizzolito, gerente de sustentabilidade da C&A, esse processo aconteceu de forma gradual, com testes que permitiram validar a estratégia. “A gente começou com um piloto pequeno, com cerca de 1.500 peças, para entender a tecnologia e a aceitação dos clientes. Os resultados foram muito positivos e isso nos deu segurança para expandir”, afirma. Segundo ela, o crescimento foi consistente ao longo do tempo. “Hoje já temos mais de 115 mil peças rastreáveis, e percebemos que os clientes não só consomem como também pedem novos produtos com essa proposta”, completa. A importância da integração entre os elos também foi destacada durante a conversa. Para Marco Antônio Branquinho, CEO da Vicunha Têxtil, a sustentabilidade precisa fazer parte da essência do negócio. “Não é uma questão de imagem, mas de crença. Precisa estar dentro da organização como parte da estratégia da empresa”, ressalta. Do ponto de vista da confecção, a rastreabilidade aparece como uma ferramenta de valorização do processo produtivo. Gabriele Ghiselini Cavaliunas, diretora da Emphasis, chama atenção para esse aspecto ao destacar que “ela mostra as mãos que fizeram, traz transparência e fortalece a percepção de qualidade e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia”, diz. Na origem da produção, o impacto também é significativo. Isabela Busato, gestora de controles e processos do Grupo Busato, reforça a importância da conexão com o consumidor final. “É muito gratificante ver o algodão produzido nas nossas fazendas chegar ao consumidor e estar presente na etiqueta de uma peça”, evidencia, ao destacar o papel da rastreabilidade em aproximar o campo da moda. Já do ponto de vista tecnológico, a complexidade da cadeia foi um dos pontos abordados. André Maltz Turkienicz, CEO da AgTrace, explica que estruturar esse processo exige organização e padronização de dados. “A cadeia do algodão é longa e envolve muitos elos, mas o Brasil tem uma base muito organizada na produção, o que permite construir uma rastreabilidade consistente”, afirma. Conexão entre indústria, varejo e consumidor fortalece o setor No segundo painel, o foco se voltou para o papel do movimento Sou de Algodão como agente de conexão dentro da cadeia têxtil. Representantes de diferentes segmentos discutiram como a colaboração entre indústria, varejo e serviços pode impulsionar o desenvolvimento do setor e ampliar o diálogo com o consumidor. Para Haroldo da Silva, economista-chefe da Abit, essa articulação é estratégica para o Brasil, especialmente diante do potencial produtivo do país. “Essa parceria entre Abrapa, Sou de Algodão e outras instituições já nasce vencedora, porque o Brasil é um grande produtor de algodão e precisa transformar essa matéria-prima em produtos com valor agregado”, declara. Do lado do varejo, a conversa trouxe a perspectiva de quem está mais próximo do consumidor final. Karina D’Ornelas, gerente de sustentabilidade da Riachuelo, destaca a relevância do algodão dentro desse contexto. “O algodão está presente na grande maioria dos nossos produtos e é uma escolha que reflete tanto responsabilidade socioambiental quanto a construção de uma relação mais próxima com os produtores e com a cadeia”, diz. Outro ponto central do debate foi a necessidade de estimular um consumo mais consciente por meio da informação. Para Mariana Amaral, sócia-fundadora da Etiqueta Certa, esse movimento passa por mudanças de hábito. “Assim como já fazemos com alimentos e cosméticos, é importante que as pessoas passem a olhar as etiquetas das roupas, entendendo a composição, a durabilidade e a origem das peças que consomem”, destaca. Educação e novas gerações impulsionam o futuro da moda Encerrando a programação, o terceiro painel trouxe uma reflexão sobre o futuro da moda a partir da perspectiva de criadores, educadores e comunicadores. A conversa destacou o papel do movimento na aproximação entre indústria e criação, além de sua atuação junto às novas gerações. Para o estilista João Pimenta, um dos principais impactos do Sou de Algodão está na capacidade de conectar diferentes agentes do setor. “Na moda, muitas vezes cada um atua de forma isolada, e o movimento consegue fazer essa conexão entre indústria, criação e mercado”, afirma. A jornalista e editora-chefe da Capricho, Andréa Martinelli, também reforça essa visão ao destacar o papel do movimento como articulador. “O Sou de Algodão é um agente de mudança importante, porque conecta todos os pontos da cadeia, do produtor ao consumidor, e amplia a forma como enxergamos o algodão brasileiro”, diz. A relação com o meio acadêmico também se destacou como um dos impactos do movimento. Para Ana Paula Mendonça Alves, coordenadora acadêmica do Senac SP, essa aproximação amplia o repertório dos estudantes e contribui para uma formação mais conectada com a realidade do setor. “O movimento Sou de Algodão é fundamental para criar conexões que vão além do ambiente tradicional da faculdade, aproximando os alunos de outras etapas da cadeia, como a produção do algodão. Esse contato é muito rico, porque ajuda a conscientizar os estudantes sobre todo o percurso do material que eles utilizam, desde a origem até a aplicação na vida profissional”, reitera. Já André Hidalgo, diretor da Casa de Criadores, chama atenção para a importância de iniciativas que aproximam novos talentos da indústria. “O Sou de Algodão veio para unir a cadeia em torno de uma questão fundamental, que é a sustentabilidade, além de aproximar estilistas da indústria e mostrar caminhos possíveis para trabalhar com essa matéria-prima”, afirma. Para Manami Kawaguchi Torres, gestora de relações institucionais do movimento, essa conexão entre os diferentes elos da cadeia é essencial para a construção de uma moda mais consciente. “Quando conseguimos aproximar criação, indústria, varejo e produção, ampliamos o entendimento sobre todo o processo por trás de uma peça”, afirma. Ao refletir sobre o impacto do evento, ela reforça o papel do diálogo como motor de transformação. “Esse tipo de encontro mostra que a evolução da moda passa pela colaboração e pelo entendimento de que todos fazem parte da mesma cadeia, com responsabilidades e oportunidades compartilhadas”, conclui. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão. Abrace este movimento: Site: www.soudealgodao.com.br Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao TikTok: @soudealgodao_
Sou de Algodão participa da DW! Semana de Design de São Paulo e reforça diálogo entre moda, educação e cadeia produtiva
27 de Março de 2026O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), marcou presença, pela primeira vez, na DW! Semana de Design de São Paulo, um dos principais festivais do setor criativo do país. Nesta edição, o evento ampliou seu escopo ao incorporar a moda como parte central da programação, por meio do Fashion Hub DW!, realizado entre os dias 19 e 22 de março de 2026 no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Com uma agenda inédita, o espaço reuniu universidades, profissionais do setor e convidados em torno de temas como design circular, processos produtivos e inovação. Representando o movimento, a gestora de relações institucionais Manami Kawaguchi Torres participou de dois painéis, levando ao debate a importância da rastreabilidade, da transparência e da conexão entre os diferentes elos da cadeia têxtil. Para Manami, a participação no evento reforça o pilar educativo do movimento. “Estar em um espaço como a DW! é uma oportunidade de ampliar o diálogo com estudantes, profissionais e o público em geral, mostrando como a cadeia do algodão se conecta com a criação, a indústria e o consumo. O nosso objetivo é traduzir esses processos e aproximar as pessoas de uma moda mais consciente”, afirma. Rastreabilidade e economia circular em debate com universidades Na sexta-feira (20), Manami participou do painel “Criação, Ciclo de Produção, Transparência e Rastreabilidade”, ao lado de representantes da Unip e do Centro Universitário Belas Artes. O encontro reuniu docentes, estudantes e convidados para discutir diferentes perspectivas sobre o desenvolvimento de moda, da criação ao pós-consumo. Convidada pela Unip, a gestora apresentou o programa SouABR, destacando como a rastreabilidade tem se consolidado como um elemento central para garantir transparência na cadeia produtiva. Durante sua fala, abordou o funcionamento do sistema e a importância de conectar informações de origem da fibra ao produto final, ampliando a confiança do consumidor. Haroldo de Souza, coordenador geral dos cursos de Design de Moda da Unip, destaca que a presença do movimento no evento foi um desdobramento da relevância do tema. Segundo ele, “a participação do movimento Sou de Algodão na Design Week, representado pela Manami, foi um convite natural diante da relevância do tema da rastreabilidade na cadeia têxtil”. Ele acrescenta que “para a UNIP, é fundamental aproximar os alunos e a comunidade acadêmica de iniciativas que promovem transparência, sustentabilidade e responsabilidade na moda”, ressaltando que a contribuição do movimento trouxe um olhar qualificado, enriquecendo o debate e fortalecendo a conexão entre mercado e educação. A professora mestra Isabela Almeida também enfatiza o impacto da participação no contexto do evento. Para ela, “a participação do movimento foi extremamente importante, pois estimula o diálogo entre as instituições de ensino, o mercado e a indústria”, especialmente em um evento aberto ao público. Ainda segundo Isabela, esse formato amplia as discussões sobre economia circular, permitindo a troca de diferentes pontos de vista e trazendo reflexões relevantes sobre processos criativos, produtivos e de rastreabilidade. Moda autoral e trajetória profissional no centro da conversa Já no sábado (21), Manami retornou à programação no painel “Sou de Algodão + Casa de Criadores: Percursos na Moda Brasileira”, ao lado de André Hidalgo, diretor da Casa de Criadores. O encontro, realizado a convite da FAAP, trouxe uma reflexão sobre os caminhos da moda autoral no Brasil e o papel de iniciativas que conectam novos talentos ao mercado. A conversa abordou desde a valorização da matéria-prima até a importância de plataformas que impulsionam jovens criadores, como o Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores, que está com as inscrições abertas para a 4ª edição até o dia 12 de abril. A proposta foi apresentar ao público como projetos colaborativos entre indústria, educação e criação podem gerar impacto real na formação de novos profissionais. Maíra Zimmermann, coordenadora do curso de Moda da FAAP e articuladora acadêmica do Fashion Hub DW!, destaca que a participação do movimento fortalece essa visão sistêmica da moda. “O movimento Sou de Algodão reforça a importância de toda a cadeia produtiva no fortalecimento e no posicionamento da moda brasileira, da matéria-prima à criação, com um compromisso claro com a responsabilidade socioambiental”. Ela também ressalta que iniciativas como o Desafio evidenciam uma atuação consistente, capaz de gerar impacto concreto na formação e no futuro do setor. Ao final de sua participação, Manami reforçou o compromisso do movimento com a educação e a construção de uma moda mais consciente. “Participar de encontros como esse é fundamental para o Sou de Algodão, porque nosso trabalho passa por compartilhar conhecimento e fomentar novas formas de pensar a moda. Quando conectamos estudantes, mercado e indústria, conseguimos avançar de forma mais consistente, rumo a uma cadeia mais transparente, responsável e alinhada com o futuro do setor”, conclui. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão. Abrace este movimento: Site: www.soudealgodao.com.br Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao TikTok: @soudealgodao_
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 27/03/2026
27 de Março de 2026Destaque da Semana 1 - O mercado de algodão encerra a semana com tom mais firme, sustentado por volume forte, melhora técnica e pela percepção de que o risco climático nos EUA (Texas) é real. Destaque da Semana 2 - O aumento das tensões no Oriente Médio e a alta dos preços do petróleo adicionaram um viés mais altista ao mercado. Os embarques dos EUA foram os maiores da temporada, com compradores aproveitando os níveis atuais para alongar cobertura, enquanto a menor disponibilidade de embarque imediato do Brasil também ajudou a sustentar o mercado. O relatório de área plantada do USDA que sairá 31/mar é aguardado pelo mercado. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Fonte: Cotton Brazil. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 26/mar cotado a 71,52 U$c/lp (+2,7% vs. 19/mar). O contrato Dez/26 fechou em 73,64 U$c/lp (+2,3% vs. 19/mar). Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 932 pts para embarque Mar/Abr-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 26/mar/26. Oferta - A Cotlook estima a produção global de algodão em 26,35 milhões de toneladas em 2025/26, ante 26,37 milhões em 2024/25, indicando leve queda de aproximadamente 0,1% ano a ano. Para 2026/27, a projeção é de 25,11 milhões de toneladas, representando retração de cerca de 4,7% frente a 2025/26. Demanda - A Cotlook projeta o consumo global de algodão em 25,35 milhões de toneladas em 2025/26, ante 25,51 milhões em 2024/25, indicando queda de cerca de 0,6% ano a ano. Para 2026/27, a estimativa é de 25,41 milhões de toneladas, sugerindo leve recuperação de aproximadamente 0,2% frente a 2025/26. Análise de Mercado da Semana - Durante a Conferência de Bremen nesta semana, tivemos uma apresentação de Colin Iles, executivo responsável pela área de algodão da ED&F Man. Por isso, nesta edição, os pontos altistas e baixistas abaixo refletem a visão apresentada por ele sobre o cenário atual do mercado global de algodão. Altistas 1 - O principal fator altista destacado foi o risco no Estreito de Ormuz, que elevou a preocupação com energia, fertilizantes e fretes. Esse choque pode aumentar o custo de produção agrícola e o custo de reposição da pluma no mercado internacional. Altistas 2 - A alta do petróleo e do gás natural torna o poliéster menos competitivo frente ao algodão. Isso pode abrir espaço para recuperação parcial do consumo de algodão em misturas têxteis, especialmente na Ásia. Altistas 3 - Segundo a apresentação, o preço do poliéster subiu fortemente na China e também avançou em outros polos têxteis relevantes, como Índia e Paquistão. Esse movimento melhora a competitividade relativa do algodão e favorece ajustes de mistura em algumas fiações. Altistas 4 - Colin destacou que o posicionamento dos fundos vinha extremamente baixista, com os especuladores vendidos por 99 semanas consecutivas. Como esse nível de venda não tende a durar indefinidamente, a redução dessas posições pode dar suporte adicional aos preços. Altistas 5 - Na semana anterior à palestra, houve a maior redução semanal das posições vendidas dos especuladores em toda a série acompanhada por ele. Esse movimento pode indicar início de mudança no sentimento financeiro sobre o algodão. Altistas 6 - O aumento do custo de energia e fertilizantes pode elevar o piso de custo de produção da próxima safra global. Na visão apresentada, isso reduz a disposição dos produtores em vender a preços muito baixos e tende a levantar a base do mercado. Baixistas 1 - O principal contraponto é que energia mais cara também pesa sobre o crescimento econômico e o consumo. Se isso reduzir renda disponível e gasto discricionário, a demanda por têxteis pode enfraquecer e limitar a alta do algodão. Baixistas 2 - O aumento dos custos de energia pressiona diretamente as margens das fiações e de toda a cadeia têxtil. Esse aperto pode levar parte dos compradores a adiar compras de pluma ou reduzir atividade. Baixistas 3 - Mesmo com a melhora relativa do algodão, o poliéster ainda continua mais barato em termos absolutos. Por isso, a substituição tende a ser apenas parcial e não muda sozinha o balanço global da fibra. Baixistas 4 - Colin lembrou que o algodão vem perdendo participação estrutural para o poliéster há décadas. Ou seja, há uma melhora tática de curto prazo, mas o desafio estrutural continua relevante para o setor. Baixistas 5 - Parte dos fundos ainda pode permanecer vendida porque a estrutura do mercado segue oferecendo carry atrativo para estratégias financeiras. Enquanto isso continuar, o processo de recuperação dos preços pode ser mais lento e irregular. China 1 - Os futuros de algodão na bolsa de Zhengzhou inverteram a direção e encerraram a semana em alta generalizada. O contrato maio, referência do mercado, fechou com ganhos em três das últimas cinco sessões. Tanto o volume negociado quanto o interesse em aberto recuaram novamente. China 2 - As condições climáticas na China são apontadas como favoráveis para o plantio nas próximas semanas, o que deve permitir bom avanço inicial da nova safra. Índia 1 - Os preços domésticos do algodão subiram na semana, com o Shankar-6 aumentando ₹850 por candy, para ₹56.600 por candy (≈77,00 c/lb), enquanto o Punjab J-34 avançou ₹60 por maund, para ₹5.675 por maund (≈73,50 c/lb). Índia 2 - As importações indianas de algodão em pluma foram de 75.198 toneladas em janeiro, queda de 71% frente a dezembro, mas ainda 27% acima do mesmo mês do ano passado. No acumulado de agosto a janeiro, os desembarques somaram 780.337 toneladas, com Austrália (25%), Brasil (24%) e Estados Unidos (15%) entre os principais fornecedores. Paquistão 1 - O plantio de algodão ganhou impulso após o feriado de Eid e com condições climáticas predominantemente favoráveis com chuva. Há relatos de escassez de fertilizantes, e espera-se que os custos aumentem nas próximas semanas. Paquistão 2 - Os preços domésticos do algodão subiram acentuadamente, com valores mais firmes desde antes do Eid e oferta restrita no mercado. Bangladesh 1 - O retorno às atividades após o Eid foi lento, com compras limitadas de algodão, enquanto os preços de pluma e fio avançaram. Algumas fiações enfrentam dificuldades devido ao fornecimento limitado de energia, agravado pelo conflito no Oriente Médio, que tem elevado custos e causado atrasos logísticos com o aumento do diesel e redução da capacidade de carga aérea. Bangladesh 2 - As importações de algodão somaram 120.117 toneladas em fevereiro, queda em relação a janeiro e também frente ao mesmo mês do ano anterior. O algodão brasileiro respondeu por 41% das importações. Vietnam 1 - O ritmo de negócios desacelerou na semana, com compradores adotando postura cautelosa diante da volatilidade dos preços em Nova York. Os pedidos confirmados na última semana incluíram algodão brasileiro da safra 2025 (Middling 1-5/32”) a cerca de 77,00 centavos por libra, e lotes SM ligeiramente mais altos, além de algodão dos EUA cotado a 80,75 centavos por libra. EUA 1 - O contrato maio/26 do algodão na ICE encerrou a semana a 68,18 centavos por libra, queda líquida de 52 pontos, após oscilar entre 66,65 e 68,76 c/lb no período. EUA 2 - Os embarques semanais de algodão totalizaram 400.600 fardos, o maior volume do ano comercial, com destaque para Vietnã (164.100 fardos), Paquistão (60.500) e Bangladesh (40.300). Agenda na Alemanha 1 - Uma delegação brasileira, liderada por Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, participou de uma agenda estratégica que reuniu dois fóruns centrais para o setor algodoeiro global: a 83ª Reunião Plenária do ICAC (International Cotton Advisory Committee) e a Bremen Cotton Conference. Agenda na Alemanha 2 - Ao longo da semana, foram discutidos temas de grande relevância para o futuro do algodão, com destaque para demanda, sustentabilidade, políticas públicas, rastreabilidade, qualidade e posicionamento estratégico. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 238,3 mil toneladas nas três primeiras semanas de mar/26. A média diária de embarque foi 26,2% maior que no mesmo mês de 2025. Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo: Quadro de cotações para 26-03 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
Abrapa destaca qualidade do algodão, perspectivas globais e rastreabilidade na Conferência de Bremen
24 de Março de 2026Em um momento em que a indústria têxtil intensifica a busca por cadeias de suprimentos mais transparentes e responsáveis, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participa da 38ª Conferência Internacional de Algodão de Bremen, na Alemanha, de 25 a 27 de março. A associação destaca seu papel no avanço das agendas globais de sustentabilidade e rastreabilidade. Considerado um dos fóruns globais mais relevantes do setor, o evento reúne especialistas e lideranças de toda a cadeia de valor do algodão para discutir o futuro da indústria. Nesse contexto, a participação da Abrapa reforça a posição do país como uma das principais origens mundiais de algodão, aliando avanços tecnológicos à transparência em toda a sua cadeia produtiva. "O algodão brasileiro evoluiu para atender a um novo padrão global, que exige não apenas qualidade e produtividade, mas também transparência, rastreabilidade e sólidos compromissos socioambientais. Nossa presença na Conferência de Bremen reflete esse esforço contínuo para construir confiança e fortalecer conexões em toda a cadeia de valor têxtil global", afirmou Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa. Como parte da programação, a Abrapa participará de três sessões estratégicas, abrangendo temas que vão desde a qualidade e testagem da fibra até a dinâmica do mercado global e a crescente demanda por transparência na cadeia de valor têxtil. Qualidade e Testagem do Algodão Na sessão "Qualidade e Testagem do Algodão", o foco é na qualidade da fibra e os métodos de avaliação. O painel conta com especialistas como Mourad Krifa, da Kent State University, e Müge Ekizoğlu, da Izmir Commodity Exchange, além do brasileiro Deninson Lima, gerente de qualidade da Abrapa, que apresentará os avanços do algodão a partir das análises feitas nos instrumentos HVI utilizados no país. Lima ressalta a importância de avaliar a incerteza de medição nos instrumentos HVI para a padronização laboratorial e seu impacto positivo no algodão brasileiro em termos de qualidade e posicionamento de mercado. "Como requisito da norma ISO 17025, esse processo é muito importante, pois oferece uma visão global do sistema e ajuda a identificar áreas de melhoria. Isso permite a padronização de procedimentos entre laboratórios, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo", observa Lima. Economia – Além do Fardo: a história do mercado Em "Economia – Além do Fardo: a história do mercado", as discussões são em torno do panorama econômico do setor. A sessão reúne palestrantes como Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, juntamente com representantes de organizações como Cotton Incorporated e Cotlook, que analisam tendências recentes na produção, comércio e consumo global. "Compreender o mercado de algodão hoje exige olhar além dos volumes de produção. Trata-se de conectar oferta, demanda, fluxos comerciais e, cada vez mais, as expectativas de transparência e sustentabilidade que estão remodelando os padrões de consumo global", disse Duarte. Algodão Rastreável, Cadeia Transparente Por fim, a sessão "Algodão Rastreável. Cadeia Transparente" aborda a rastreabilidade e a transparência em toda a cadeia de suprimentos. Os destaques incluem uma apresentação de Haroldo Cunha, ex-presidente da Abrapa e atual presidente da Associação Goiana de Produtores de Algodão (Agopa), sobre o programa SouABR, ao lado de especialistas internacionais como Terry Townsend, Katharina Schaus e Pramod Sonune, que discutirão desafios e avanços na construção de cadeias mais transparentes. "O Brasil tem sido pioneiro na rastreabilidade do algodão, e essa liderança permitiu o desenvolvimento do programa SouABR, que possibilita rastrear o código de uma peça de roupa até a sua origem na fazenda. Isso significa conectar cada etapa da cadeia com transparência e confiabilidade, atendendo à crescente demanda global por informações verificáveis e seguras", afirmou Haroldo Cunha. Sou de Algodão terá ativação no evento Para explicar como o Brasil ainda segue como um dos maiores consumidores da pluma nacional, mesmo com a alta competitividade das fibras sintéticas, a delegação da Abrapa também apresentará na conferência o movimento Sou de Algodão, iniciativa de promoção do algodão no Brasil como um caso de comunicação e engajamento junto aos consumidores finais e a indústria têxtil. De acordo com a diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do movimento, Silmara Ferraresi, a presença do Sou de Algodão no encontro internacional reforça o papel da promoção como ferramenta de conexão entre os diferentes elos da cadeia. “Eventos como a Conferência de Bremen são espaços táticos para compartilhar experiências e ampliar o diálogo internacional sobre responsabilidade e inovação no setor têxtil”, explica a diretora. Para Ferraresi, comunicação e transparência podem aproximar o consumidor das origens da fibra e valorizar o trabalho desenvolvido no campo, e o Sou de Algodão aparece como um exemplo de êxito nesta frente. O Brasil em Bremen Para os organizadores do evento, a participação da Abrapa no encontro reafirma a posição de protagonismo do Brasil na cadeia internacional do algodão. Segundo o diretor da Conferência, Axel Drieling, “o Brasil é um dos atores mais importantes da indústria do algodão e se tornou ainda mais significativo nos últimos anos”. Drieling também explicou que o Brasil se destaca pela produção de algodão de alta qualidade pela utilização de tecnologia de ponta para a análise e melhoramento da fibra produzida. O pioneirismo do país no desenvolvimento da rastreabilidade completa da cadeia de custódia do algodão foi outro ponto citado pelo diretor, que ainda afirmou que “a participação do Brasil na Conferência Internacional do Algodão de Bremen é definitivamente um ganho para o evento”. Confira abaixo a programação da participação brasileira na 38ª Conferência Internacional de Algodão de Bremen: COTTON BRAZIL NA CONFERÊNCIA DE BREMEN Local: Parlamento de Bremen, Alemanha Data: 25 e 26 de março de 2026 25 de Março Qualidade e Testagem do Algodão Horário: 13:30 – 15:30 Palestrantes: Mourad Krifa, Müge Ekizoğlu, Deninson Lima Foco: Qualidade da fibra e métodos de teste Economia – Além do Fardo: a história do mercado Horário: 16:00 – 18:00 Palestrantes: Marcelo Duarte, Jon Devine, Graham Soley, Ruby McGrath Foco: Tendências do mercado global e dinâmica do comércio de algodão 26 de Março Algodão Rastreável. Cadeia Transparente Horário: 11:00 – 13:00 Palestrantes: Haroldo Cunha, Terry Townsend, Katharina Schaus, Pramod Sonune Foco: Rastreabilidade e transparência na cadeia de suprimentos Para mais informações, visite o site oficial do evento: https://cotton-conference-bremen.de/
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