Algodão brasileiro consolida salto de qualidade na safra 2024/2025, aponta relatório de qualidade da Abrapa
13 de Abril de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) divulgou na última sexta-feira, 10 de abril, o último relatório de qualidade da safra 2024/2025.  O documento traz um panorama completo da qualidade da pluma brasileira após a análise de praticamente toda a produção nacional já colhida, beneficiada e classificada. Ao todo, foram analisados 17,4 milhões de fardos por meio do sistema HVI (High Volume Instrument), o equivalente a cerca de 4,25 milhões de toneladas de algodão. O volume representa praticamente a totalidade da safra, reforçando a transparência e a robustez do programa SBRHVI, formado por uma rede de 13 laboratórios e 90 equipamentos espalhados pelos principais estados produtores. Para o gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, os resultados são animadores pois demonstram a evolução consistente do algodão brasileiro. “O avanço da qualidade da fibra mostra que os esforços concentrados de todos os elos da cadeia produtora para garantir a melhoria da qualidade da fibra estão dando resultados positivos”. Lima também explicou que o trabalho nacional para garantir a melhoria da qualidade da pluma tende a influenciar na reputação do Brasil enquanto produtor. “Quando todos os fardos apresentam o mesmo padrão elevado de qualidade, a relação de confiança com os compradores se fortalece e o preço da pluma tende a melhorar, tanto no comércio interno quanto no internacional”. Melhoria consistente na qualidade Os números confirmam o fortalecimento do padrão da fibra brasileira para a indústria têxtil. No indicador de resistência, por exemplo, 96,6% das amostras ficaram acima de 28 gf/tex, um dos melhores resultados da série histórica recente. Já o comprimento da fibra também avançou, 94,2% do algodão apresentou medida igual ou superior a 1,11 polegada, reforçando a competitividade do produto no mercado global. Outro destaque desta safra é o micronaire, indicador que mede a finura e maturidade da fibra. De acordo com o Deninson Lima: “Na safra 2024/2025, 95,8% do algodão brasileiro ficou dentro da faixa considerada ideal (entre 3,5 e 4,9), mantendo estabilidade em níveis elevados”. A uniformidade das fibras também apresentou bom desempenho, com 94,9% das amostras acima de 80%, enquanto o índice de fibras curtas, fator que impacta diretamente o rendimento industrial, registrou 80,8% dentro do limite desejável (até 10%). No quesito brilho (reflectância), 85,6% do algodão atingiu padrão acima de 75, e o grau de amarelamento permaneceu controlado, com 77,5% dentro dos parâmetros ideais. A análise detalhada mostra ainda um avanço qualitativo na distribuição do comprimento da fibra. Quase 80% do algodão brasileiro concentra-se nas faixas mais valorizadas (acima de 1,14 polegada), com crescimento expressivo das categorias superiores, tendência que vem se intensificando desde a safra 2022/2023. No aspecto de coloração, predominam os padrões mais demandados pelo mercado. As classes intermediárias e superiores (como 31 e 41) concentram a maior parte da produção, indicando boa aparência visual e menor presença de impurezas. Qualidade e transparência Esse desempenho é resultado direto de uma combinação de fatores, como investimento em tecnologia no campo, aprimoramento genético, boas práticas agrícolas e padronização rigorosa dos processos de beneficiamento e classificação. Atualmente, 100% da produção nacional passa por avaliação em HVI dentro do programa SBRHVI, o que garante transparência e confiabilidade às informações. Próxima safra Com a safra 2024/2025 totalmente analisada, os próximos relatórios da Abrapa já passam a refletir os dados da nova temporada 2025/2026, cujo ciclo produtivo está em andamento. A expectativa do setor é manter a trajetória de evolução, consolidando o Brasil como referência global não apenas em volume, mas também em qualidade de algodão. Para saber mais detalhes sobre a qualidade do algodão brasileiro da safra 2024/20254, acesse o relatório completo: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Relatorio-de-Qualidade-Safra-24-25-Marco.pdf

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa -10/04/2026
10 de Abril de 2026

Destaque da Semana 1 - As cotações do algodão em NY ganharam força e atingiram o maior nível em 11 meses, com o contrato Mai/26 fechando em 73,26 U$c/lb após romper a resistência de 73,00 U$c/lb. A alta foi sustentada principalmente pela queda do dólar e pelas preocupações com a seca nas principais regiões produtoras norte-americanas. Destaque da Semana 2 - Mesmo com o WASDE do USDA trazendo um tom levemente baixista, o mercado ignorou esses fatores no curto prazo. O forte volume negociado e a reação compradora mostram que, neste momento, o mercado está mais sensível aos riscos climáticos e ao ambiente macro do que ao aumento projetado da oferta global. Destaque da Semana 3 - As exportações brasileiras de março foram muito fortes, somando 347.823 tons, recorde histórico para o mês. No acumulado de agosto a março, o Brasil embarcou 2,34 milhões de tons, acima dos 2,14 milhões de tons do mesmo período da safra anterior. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Fonte: Cotton Brazil. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 09/abr cotado a 75,32 U$c/lp (+3,1% vs. 02/abr). O contrato Dez/26 fechou em 76,87 U$c/lp (+2,5% vs. 02/abr). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 958 pts para embarque Abr/Mai-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 09/abr/26. Altistas 1 - O clima segue sendo um risco relevante nos EUA. Embora chuvas recentes tenham ajudado partes do cinturão, a seca persiste em praticamente toda a região produtora. Altistas 2 - O Índice A (preço do algodão na Ásia) atingiu 82,55 U$c/lb, o nível mais alto desde novembro de 2024, sinalizando firmeza do mercado físico internacional. Altistas 3 - O ambiente macro ficou menos pesado no fim da semana, com queda do dólar e recuperação das bolsas após notícias de cessar-fogo parcial no Oriente Médio. Mesmo com a incerteza ainda elevada, esse alívio financeiro ajudou o algodão a sustentar a alta. Altistas 4 - As compras de curto prazo continuam ativas fora de China e Índia, com os principais produtores têxteis buscando cobertura para embarque próximo. Altistas 5 - Há especulação no mercado sobre eventual liberação de estoques da Reserva Estatal chinesa nesta primavera. Historicamente, esse movimento costuma vir acompanhado de recompras no mercado internacional. Baixistas 1 - O WASDE de abril do USDA foi levemente baixista para o quadro global de 2025/26. Os estoques iniciais mundiais foram revisados para cima em 60 mil toneladas, alta de 0,40%. Baixistas 2 - A produção global foi elevada em 190 mil toneladas, alcançando 26,53 milhões de toneladas. O consumo mundial também foi ajustado para cima, em 130 mil toneladas. Com isso, a relação estoque/uso global subiu levemente, passando de 64% para 65%. Baixistas 3 - China e Índia seguem relativamente quietas nas importações, porque ainda contam com oferta doméstica abundante. Baixistas 4 - O mercado continua muito concentrado em compras de curto prazo. O relatório semanal dos EUA mostrou apenas 14,1 mil fardos de vendas para 2026/27, bem abaixo do volume negociado para a safra corrente. Baixistas 5 - Apesar da alta semanal, o mercado segue muito dependente de fatores externos ao algodão. Petróleo, dólar, fertilizantes, guerra no Oriente Médio e fretes ainda exercem pressões difíceis de medir. Brasil - O relatório do USDA não apresentou alterações neste mês para o Brasil. A produção brasileira foi mantida em 4,25 milhões de toneladas, enquanto as exportações seguem projetadas em 3,16 milhões de toneladas no ciclo. Considerando estoques de passagem de 1,09 milhão de toneladas, a relação estoque/uso permanece em 28%. EUA 1 - Para a safra 2025/26 dos Estados Unidos, o WASDE do USDA não trouxe mudanças em relação ao mês anterior. A produção norte-americana segue estimada em 3,03 milhões de toneladas. Os estoques finais permanecem próximos de 1 milhão de toneladas, enquanto a relação estoque/uso continua em 32,4%. China 1 - O relatório de abril do USDA projeta produção de 7,80 milhões de toneladas. Mesmo com a safra maior, o USDA também elevou a previsão de importações em 90 mil toneladas e revisou o consumo para cima em 110 mil toneladas. Apesar desses ajustes, os estoques finais chineses ficaram praticamente estáveis, com acréscimo de 40 mil toneladas, mantendo a relação estoque/uso em 80%. China 2 - Os futuros de algodão na bolsa de Zhengzhou registraram leve queda ao longo da semana, acompanhados por redução no volume negociado e no interesse em aberto. O China Cotton Index também recuou, encerrando o período em 16.712 yuans por tonelada. China 3 - Apesar da queda, o mercado segue sustentado por custos mais altos e perspectiva apertada para fibras longas. Ainda assim, as vendas de fios continuam lentas e as fiações demonstram cautela em relação à demanda para abril. Paquistão 1 - O plantio do algodão avançou mais lentamente nos últimos dias devido a condições climáticas adversas em algumas regiões produtoras. O cenário pode resultar em novos atrasos no plantio nas principais áreas de cultivo. Paquistão 2 - Negócios de algodão em caroço da nova safra foram reportados na semana a cerca de Rs. 10.000 por 40 quilos para entregas no fim de maio. Os preços elevados para a nova temporada, somados à recente alta da pluma remanescente da safra anterior, são apontados como sinais positivos. Turquia - As importações de algodão bruto somaram cerca de 96.680 toneladas em fevereiro, o maior volume mensal desde junho de 2025. As compras superaram 483.000 toneladas, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, com o Brasil respondendo por 44% do total, seguido pelos EUA (21%). Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo. Quadro de cotações para 09.04 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Nota oficial: Abrapa e ANEA alertam para impactos de mudanças na tributação de remessas internacionais
07 de Abril de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA) em linha com manifestações já apresentadas pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), acompanham com preocupação a possibilidade de revisão da tributação sobre remessas internacionais de até US$ 50. A eventual redução ou extinção dessa tributação pode intensificar a entrada de produtos têxteis importados no país, majoritariamente de origem sintética e derivados de combustíveis fósseis. Esse cenário tende a ampliar a concorrência com a indústria nacional, comprometendo condições isonômicas de competitividade, além de gerar impactos ambientais e à saúde humana. Avanço das importações e perfil das fibras As importações têxteis cresceram de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2015 para mais de 2 milhões em 2024, incluindo fibras, fios, tecidos e confecções. Desse total, aproximadamente 94% correspondem a fibras sintéticas e artificiais, enquanto o algodão e outras fibras naturais representam menos de 6%. Esse avanço tem provocado desequilíbrio no consumo de têxteis no Brasil, levando a uma queda expressiva e contínua da participação das fibras naturais nos produtos acabados consumidos no país: ela caiu de 42% para 27%, mesmo com o aumento da produção nacional de algodão. Em contrapartida, o consumo de fibras sintéticas cresceu quase 70%, impulsionado principalmente pelas importações. Impactos ambientais e à saúde humana A ampliação desse fluxo tende a aumentar a geração de resíduos persistentes e microplásticos. Estimase que cerca de 35% dos microplásticos presentes nos oceanos tenham origem em têxteis sintéticos. Além disso, estudos recentes apontam possíveis riscos à saúde humana, com a presença de microplásticos no organismo associada a processos inflamatórios, doenças cardiovasculares e impactos nos sistemas imunológico e endócrino. Impactos econômicos e sociais No campo econômico e social, a possível redução da tributação pode pressionar a indústria têxtil nacional e reduzir o valor agregado do algodão brasileiro. O complexo algodão-têxtil gera cerca de 1,3 milhão de empregos formais e 8 milhões indiretos, sendo aproximadamente 60% ocupados por mulheres. Diante desse contexto, as entidades reforçam que o debate deve ser conduzido com visão de longo prazo, considerando seus impactos sobre a economia, o meio ambiente e a sociedade. Um ambiente competitivo equilibrado é essencial para fortalecer a indústria nacional, preservar empregos e avançar rumo a uma cadeia têxtil mais sustentável.

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