Segundo dia do 15º CBA conecta cenário global, eficiência no campo e novas tecnologias para a cotonicultura
23 de Setembro de 2026O segundo dia do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), nesta quarta-feira (23), em Belo Horizonte (MG), aprofundou as discussões sobre os desafios da cotonicultura brasileira dentro e fora da porteira. Mercado internacional, perspectivas para a safra 2026/27, eficiência produtiva, manejo, qualidade da fibra, sustentabilidade e novas tecnologias estiveram entre os assuntos debatidos. Realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Congresso reúne produtores, pesquisadores, consultores, empresas, jornalistas e lideranças da cadeia produtiva em três dias de debates sobre ciência, inovação, mercado e estratégia. Brasil no mercado global Um dos destaques foi o painel “O algodão brasileiro no tabuleiro global: perspectivas e estratégias para a safra 2026/27”, que analisou o cenário da próxima temporada e a posição do Brasil no comércio internacional. As projeções apresentadas durante o CBA indicam uma área de 2,22 milhões de hectares em 2026/27, crescimento de aproximadamente 7% em relação à temporada anterior. Os debates também abordaram a regularidade da oferta brasileira ao longo do ano, diversificação dos mercados, custos de produção, logística, clima e os efeitos do cenário geopolítico sobre o mercado de fibras. O desafio é combinar crescimento da produção com produtividade, qualidade, rastreabilidade e eficiência para ampliar a competitividade do algodão brasileiro. Eficiência produtiva começa no manejo Dentro da porteira, outra plenária técnica mostrou que elevar a quantidade de fertilizantes aplicada na lavoura não significa, necessariamente, aumentar a produtividade. Pesquisadores e especialistas destacaram a importância de considerar características do solo, disponibilidade hídrica, desenvolvimento das raízes, ciclagem de nutrientes e histórico produtivo de cada área. Resultados apresentados durante o Congresso reforçaram que as decisões sobre nutrição precisam considerar o sistema produtivo como um todo, com estratégias orientadas por dados e pelas condições específicas de cada propriedade. Hubs conectam ciência e campo A programação do segundo dia também contou com hubs técnicos dedicados aos diferentes desafios da produção. Biotecnologia, manejo de lagartas e pragas sugadoras estiveram entre os assuntos da entomologia. Doenças foliares, controle biológico, edição gênica e bioinsumos também ganharam espaço nos debates. Na área de qualidade da fibra, a programação passou por contaminação, desempenho do algodão brasileiro nas fiações, reciclagem, economia circular, microplásticos e análise do ciclo de vida da fibra. Gestão, custos de produção, planejamento agrícola e tecnologias digitais completaram as discussões. Certificação e rastreabilidade também estiveram em pauta, incluindo o papel do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e de diferentes padrões de certificação no acesso aos mercados. O conjunto das discussões reforçou uma das propostas do CBA: aproximar ciência, experiência prática e estratégia para responder aos desafios de uma cotonicultura que cresce em escala e participação no mercado internacional. O 15º CBA segue nesta quinta-feira (24), no Expominas, com a programação do último dia. Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o evento é realizado pela Abrapa. Acompanhe a programação, as notícias e a cobertura completa no site oficial do 15º Congresso Brasileiro do Algodão. Confira também os registros oficiais do CBA no Flickr.
Primeiro dia do 15º CBA reúne lideranças, debate cenário global e reconhece avanços da cotonicultura
22 de Setembro de 2026O 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) começou nesta terça-feira (22), em Belo Horizonte (MG), reunindo produtores, pesquisadores, empresas, autoridades, jornalistas e representantes dos diferentes elos da cadeia produtiva. Realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o evento segue até quinta-feira (24), no Expominas. Na abertura, o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, destacou os avanços conquistados pela cotonicultura brasileira e a necessidade de o setor continuar olhando para o futuro. Ao abordar o tema desta edição, “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, Piccoli ressaltou a importância de ampliar o debate sobre sustentabilidade, consumo e fibras naturais com base em ciência, pesquisa e informação. “O algodão é uma fibra natural. Renovável. Biodegradável. E quando olhamos para a trajetória do algodão brasileiro, temos muito a mostrar”, afirmou o presidente da Abrapa durante a abertura. A cerimônia contou também com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, que ressaltou a importância do Congresso como espaço de integração entre produtores, pesquisadores, empresas, autoridades e demais representantes da cadeia do algodão. Um olhar para as transformações globais Entre os destaques da programação do primeiro dia esteve a palestra do economista Ricardo Amorim. Ele analisou as transformações econômicas, tecnológicas, demográficas e geopolíticas em curso e as oportunidades que esse novo cenário pode representar para o Brasil e para o algodão brasileiro. Amorim também chamou atenção para a valorização do humano e do natural em um ambiente de acelerado avanço tecnológico, aproximando o debate econômico do tema central desta edição do CBA. Reconhecimento e ciência A abertura também foi marcada por homenagens a produtores indicados pelas associações estaduais, ex-presidentes da Abrapa e empresas apoiadoras do movimento Sou de Algodão. A ciência também ganhou espaço com a premiação dos melhores trabalhos científicos apresentados no Congresso. Foram reconhecidas pesquisas nas categorias graduação, pós-graduação e profissional, além dos professores orientadores, valorizando a produção de conhecimento e sua contribuição para o desenvolvimento da cotonicultura brasileira. O 15º CBA segue nesta quarta (23) e quinta-feira (24), com uma programação dedicada a temas como ciência, tecnologia, sustentabilidade, manejo, mercado, inovação e competitividade. Acompanhe a programação, as notícias e a cobertura completa no site oficial do 15º Congresso Brasileiro do Algodão. Já os registros oficiais do Congresso também estão disponíveis no Flickr.
Movimento "Microplástico é o Fim da Linha" coloca em debate as fibras que vestimos
21 de Setembro de 2026O que existe por trás da roupa que vestimos? O que acontece com as fibras e o que elas liberam ao longo de sua vida útil? E quanto sabemos, de fato, sobre os materiais que escolhemos vestir? Essas perguntas estão no centro do Movimento Fim da Linha, que será lançado nesta quinta-feira (24), durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte (MG). A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a presença de microplásticos no cotidiano, especialmente aqueles associados às fibras sintéticas, e estimular escolhas mais responsáveis por parte da indústria têxtil e de consumidores. O movimento também busca valorizar as fibras naturais, incentivar pesquisa e inovação e aproximar consumidores, indústria, comunidade científica e poder público desse debate. O lançamento está diretamente conectado ao tema desta edição do CBA — “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência” — e ocorre oficialmente durante painel “Como reconectar o brasileiro à fibra natural? Um desafio de saúde pública, meio ambiente e estratégia nacional”. Ao longo dos três dias de congresso, os participantes poderão conhecer o movimento em um estande dedicado à iniciativa, com espaço para fotos, um quiz sobre fibras e o contador de micropartículas, baseado em um estudo da WWF. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), organizadora do CBA, tomou a iniciativa de reunir entidades representativas de diferentes fibras naturais em torno do movimento. Para Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, levar o tema ao principal encontro da cotonicultura brasileira contribui para ampliar o debate sobre o papel que as fibras naturais podem desempenhar no país. “O Brasil construiu uma cadeia de algodão qualificada, tecnológica e capaz de fornecer uma fibra natural em grande escala, com certificação socioambiental. O CBA é o espaço para discutirmos não apenas como produzir mais e melhor, mas também como ampliar o uso e a valorização dessa fibra. Para nós, falar sobre fibra natural também é falar sobre as escolhas que fazemos para o futuro”, afirma Piccoli. Fibras naturais na agenda de políticas públicas Entre as principais fontes de microplásticos estão tecidos sintéticos produzidos a partir de polímeros plásticos, como poliéster, nylon e acrílico. Ao longo de seu ciclo de vida, especialmente pelo desgaste e pelas lavagens, esses materiais podem liberar microfibras plásticas. A presença dessas partículas no organismo humano já vem sendo identificada pela ciência. Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Livre de Berlim, por exemplo, identificou fibras e partículas de microplásticos no cérebro humano. A ciência, no entanto, ainda investiga os possíveis efeitos dessa exposição à saúde. A identificação de microplásticos no organismo ou de associações com determinados desfechos não significa, por si só, comprovar causalidade. As evidências existentes reforçam a necessidade de atenção, pesquisa e prevenção. O movimento não propõe a eliminação das fibras sintéticas. A discussão busca ampliar informação e transparência, estimular pesquisa e inovação e criar mais oportunidades para o uso das fibras naturais quando tecnicamente adequadas. Para o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, a conscientização deve caminhar ao lado da construção de políticas públicas capazes de estimular a valorização das fibras naturais. “A valorização das fibras naturais precisa ser tratada como uma agenda de longo prazo. Queremos ampliar o diálogo com governos, indústria e a comunidade científica para construir políticas públicas que estimulem pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, criando novas aplicações e condições para ampliar a presença das fibras naturais na indústria têxtil brasileira. Esta é uma agenda que reúne saúde, sustentabilidade ambiental, desenvolvimento industrial e informação ao consumidor”, afirma Portocarrero. Cânhamo e lã se juntam ao movimento O Fim da Linha nasce com a participação da Abrapa, Ayraa Eco Friendly, Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), Associação Brasileira de Criadores de Merino Australiano (ABCMA), Associação Brasileira de Criadores de Ideal (ABCI) e Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Naturalmente Coloridos (ABCONC), reunindo diferentes setores em torno de uma agenda que envolve saúde, meio ambiente, ciência, consumo, indústria e desenvolvimento. Para Marcelo Sertório, sócio-fundador da Ayraa Eco Friendly, reunir diferentes fibras naturais amplia a informação disponível ao consumidor e evidencia a diversidade de características e aplicações dessas matérias-primas. A empresa atua no desenvolvimento da cadeia do cânhamo industrial no Brasil e em sua integração com outras fibras naturais. “Queremos ampliar o conhecimento sobre as fibras naturais, suas características e possibilidades. Informação é essencial para que o consumidor faça escolhas mais conscientes”, afirma Sertório. A lã Merino também integra esse movimento como uma fibra natural, renovável, biodegradável e de múltiplas aplicações. Além do vestuário, pode ser utilizada em calçados, mantas, estofados, tapetes, itens de decoração e materiais de isolamento térmico e acústico. Para a presidente da Associação Brasileira de Criadores de Merino Australiano (ABCMA), Raquel Dall’Igna Rodrigues, a união entre diferentes cadeias ajuda a mostrar à sociedade a diversidade e o potencial das fibras naturais. “Quando reunimos diferentes fibras naturais, ampliamos o acesso à informação e mostramos que existem alternativas naturais para diferentes usos no cotidiano. Essa união fortalece as cadeias produtivas, valoriza quem produz e contribui para escolhas mais conscientes e responsáveis”, afirma Raquel Rodrigues. Conheça mais sobre: Microplástico é o fim da Linha.
Abrapa apresenta Carta Aberta aos Presidenciáveis com as prioridades da cotonicultura para 2027–2030
21 de Setembro de 2026Em meio ao debate eleitoral sobre os rumos do Brasil a partir de 2027, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apresenta aos candidatos à Presidência da República uma agenda com as principais prioridades da cotonicultura brasileira para os próximos quatro anos. Intitulada “Carta Aberta aos Presidenciáveis – A visão do setor da cotonicultura brasileira para os próximos 4 anos”, a iniciativa parte de uma mensagem central: as decisões do próximo governo serão determinantes para que o Brasil preserve sua competitividade e amplie o espaço conquistado no mercado internacional. O documento defende que a cadeia produtiva do algodão seja reconhecida como um ativo estratégico para o desenvolvimento do país e que sua competitividade seja tratada como uma política de Estado, articulando produção, indústria, comércio exterior, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional. Os desafios que orientam a Carta também estarão presentes nas discussões do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que será realizado de 24 a 26 de setembro, em Belo Horizonte (MG). Ao longo dos três dias, produtores, especialistas e representantes da cadeia estarão reunidos para debater temas estratégicos para o presente e o futuro da cotonicultura, conectando competitividade, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento do setor. Representatividade A Abrapa reúne 11 associações estaduais e representa produtores responsáveis por 99% da área plantada e 99% da produção nacional de algodão, além de 100% das exportações brasileiras da fibra. A Carta conta com a participação das associações estaduais, reforçando a representatividade das prioridades apresentadas pela cotonicultura brasileira para o ciclo 2027–2030. Construído com a participação das estaduais, o documento consolida uma visão do setor sobre temas considerados estratégicos para os próximos quatro anos e busca contribuir para o debate sobre as prioridades do país. Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a posição alcançada pelo algodão brasileiro aumenta também a responsabilidade do país de construir condições para manter sua competitividade. “O Brasil conquistou uma posição de protagonismo no algodão mundial, mas liderança não é permanente. Precisamos olhar para os próximos quatro anos e construir um ambiente que dê ao produtor segurança para investir, produzir e competir. Esta Agenda é uma contribuição da cotonicultura para esse debate e, principalmente, para o futuro do país”, afirma Piccoli O que a cotonicultura espera do próximo governo A Agenda 2027–2030 reúne propostas em oito frentes consideradas estratégicas: fertilizantes; bioinsumos; segurança jurídica e estabilidade regulatória; reforma tributária; abertura comercial; infraestrutura e logística; modernização da política agrícola; e políticas públicas para o fortalecimento das fibras naturais. Entre as preocupações está a dependência brasileira de fertilizantes importados, apontada no documento como uma vulnerabilidade diante de oscilações cambiais, tensões geopolíticas e eventuais restrições nas cadeias globais de suprimento. A Abrapa também defende a conclusão da regulamentação da Lei nº 15.070/2024, que estabeleceu o marco regulatório dos bioinsumos. Na infraestrutura, a entidade chama atenção para gargalos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, armazenagem e energia. Já na política agrícola, propõe o fortalecimento dos instrumentos de crédito e gestão de riscos, ampliação do seguro agropecuário e maior acesso ao mercado de capitais e a novas fontes de financiamento. A abertura de mercados também aparece entre as prioridades. A Abrapa defende acelerar negociações comerciais, fortalecer a atuação diplomática e sanitária e enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias, buscando diversificar os destinos do algodão brasileiro e reduzir a concentração das exportações. Para o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, a Agenda busca antecipar ao próximo governo os pontos que serão determinantes para a capacidade de crescimento da cotonicultura brasileira. “O Brasil construiu uma cotonicultura altamente tecnológica, sustentável e competitiva. Agora, precisamos garantir condições para continuar avançando. Infraestrutura, segurança jurídica, política agrícola, abertura de mercados e inovação não são pautas isoladas. São fatores que, juntos, determinam a nossa capacidade de produzir, investir e competir no mercado mundial nos próximos anos”, afirma Portocarrero. Fibras naturais entram na agenda do próximo governo Outro eixo do documento é a defesa de uma política nacional de valorização das fibras naturais. A Abrapa propõe estímulos à inovação e à indústria têxtil nacional, compras públicas sustentáveis, desenvolvimento de materiais de base biológica e ações de conscientização sobre os benefícios das fibras naturais. A proposta reforça uma pauta que já vem sendo defendida pela Abrapa: ampliar a valorização das fibras naturais por meio de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. A entidade defende políticas públicas que estimulem novas aplicações e aprimorem características de desempenho e usabilidade dessas fibras, ampliando sua presença na indústria têxtil, inclusive em combinações com outras matérias-primas. A iniciativa também busca fomentar pesquisas sobre os possíveis impactos das fibras sintéticas e dos microplásticos à saúde e ao meio ambiente, contribuindo para escolhas e políticas públicas baseadas em conhecimento científico. A valorização das fibras naturais deverá permanecer na agenda institucional da Abrapa na próxima legislatura, tanto no Congresso Nacional quanto junto ao Governo Federal e aos ministérios relacionados ao tema. A proposta é ampliar o diálogo sobre pesquisa, inovação, saúde, sustentabilidade e desenvolvimento industrial, criando condições para que fibras como o algodão ganhem novas aplicações e maior participação na indústria têxtil brasileira. Agenda de Estado Mais do que reunir demandas setoriais, o documento propõe que a cotonicultura seja reconhecida como um ativo estratégico para o desenvolvimento brasileiro, conectando competitividade, inovação, industrialização, sustentabilidade e inserção internacional. “Queremos estabelecer um diálogo com quem pretende governar o Brasil sobre o país que queremos construir nos próximos anos. O algodão conecta produção, indústria, geração de empregos, exportações, inovação e sustentabilidade. Criar condições para que essa cadeia continue avançando significa também ampliar a capacidade do Brasil de gerar desenvolvimento e agregar valor ao que produz”, reforça o presidente da Abrapa Gustavo Piccoli. Confira na íntegra: Carta aos Presienciáveis.
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